7 de junho de 2017

Do Tesouro da Igreja

A procissão do Corpo de Deus

A festa do Corpo e Sangue de Cristo celebra‐se normalmente numa quinta-feira para fazer referência à Quinta‐feira Santa, dia da instituição da Eucaristia.Foi no século XIII que se sentiu fortemente a necessidade de ressaltar esta festa, instituída pelo Papa Urbano IV em 1264. Aos poucos, a sua celebração foi tomando força e, hoje, realiza-se com grande solenidade em todo o mundo.
O Sacramento da Eucaristia é levado às ruas como um gesto e expressão de fé e, ao mesmo tempo, como convite à renovação da própria fé. São os cristãos que traduzem a sua adesão a Jesus Cristo, presente na forma permanente de pão e manifestam o seu reconhecimento a essa presença amorosa do Senhor no meio do Seu Povo, que permanece silenciosa e ininterrupta nos sacrários das nossas Igrejas.
Testemunha S. João Paulo II na Encíclica «A Igreja vive da Eucaristia»: “A devota participação dos fiéis na procissão eucarística da solenidade do Corpo e Sangue de Cristo é uma graça do Senhor que anualmente enche de alegria quantos nela participam”. Assim tem sido, também, ao longo dos séculos na cidade de Lisboa tornando‐se a Procissão do Corpo de Deus a mais antiga e participada de todas as procissões.
Filipe I, numa carta às filhas que residiam em Espanha, compara a Procissão de Lisboa com as que se realizavam um pouco por todo o reino, reconhecendo ser esta muito mais concorrida e solene. Em tempos de D. João V, a Procissão ganhou uma dimensão notável.
A Procissão incorporava as irmandades (moleiros, hortelãos, boticários, alfaiates, etc) e também as delegações das diversas Ordens Religiosas de Lisboa (Agostinhos, Beneditinos, Franciscanos, Ordem de Cristo...). 
No final do cortejo vinha o pálio, ou baldaquino, a cujas varas pegavam os mais altos dignitários da Corte e da Câmara, sempre representada por toda a Vereação, sob o pálio o Bispo de Lisboa ostentando a custódia com o Santíssimo Sacramento ladeado pelo Rei e outros dignitários.
Nos meados do século XIX, a procissão foi simplificada. A legislação de 1910, proibindo os dias santos da Igreja, interrompeu o culto público, embora nas igrejas continuassem a ser celebradas Missas solenes e solenes pontificais nas Sés.
As Irmandades do Santíssimo, nas diversas Paróquias, mantiveram o culto vivo e, retomadas algumas liberdades religiosas, o dia de Corpo de Deus voltou a ser feriado havendo uma renovação do culto processional público. 
Muitos recordam, ainda, a alegria do povo de Deus, quando em 1973, depois de vários anos de interrupção, o senhor Cardeal António Ribeiro restaurou a Procissão do Corpo de Deus e onde todas as paróquias da cidade de Lisboa estiveram representadas.
A partir de então, é assim em cada ano. Desde 2003 a Procissão do Corpo de Deus voltou a percorrer as ruas da Baixa de Lisboa, onde outrora se realizava, de e até à Sé Patriarcal.
Como salienta o Papa Francisco na homilia da Solenidade do Corpo de Deus, em 2013: “Somos a multidão que Jesus alimenta hoje com o Seu Pão. Também nós procuramos segui‐l’O para O ouvir, entrar em comunhão com Ele e acompanhá‐l’O para que Ele também nos acompanhe”.
Fonte: Patriarcado de Lisboa

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