7 de junho de 2017

Do Pároco

Sob o manto de luz

É difícil, se não mesmo impossível, descrever em poucas palavras as jornadas de 12 e 13 de maio deste centenário das aparições em Fátima. Tudo correu bem, apesar das previsões pessimistas: o tempo, o fluxo de trânsito (neste caso, um agradecimento de justiça é devido à GNR e restantes forças de segurança), a estadia… Foi como se Nossa Senhora quisesse ter estado em todos os pormenores. Por isso, também é previsível que o que era realmente essencial, o tempo de oração que ali passámos, também tenha deixado marcas. Provavelmente será necessário refletirmos pausadamente sobre o que vimos e ouvimos.
Deixo apenas uns breves pensamentos. A mobilização de todo o Portugal para receber o Papa Francisco foi comovedora. Tanta gente disposta a sacrificar o sono, a alimentação ou a aceitar as incomodidades físicas para estar perto do Papa. Tantos milhares de pessoas que rezaram com devoção o terço, com o Papa. Se somos capazes de tudo isso para estar com o Vigário de Cristo, por maioria de razão deveríamos fazer o que quer que fosse para recebermos o próprio Cristo. Tomando estes dias como uma parábola da nossa própria vida, procuremos aplicá-la tal qual aos momentos em que podemos ir ao encontro de Jesus, na Missa dominical ou num momento de adoração. Quem se atreveu a chegar tarde ao recinto de Fátima? 
A canonização da Jacinta e do Francisco chegou quase cem anos depois do seu falecimento. Em qualquer caso, eles «já» eram santos desde a sua morte, já viviam em Deus. Muito antes das explicações do Concílio Vaticano II sobre o chamamento universal à santidade, e mesmo antes dessa mesma mensagem que S. Josemaria anunciou incansavelmente desde 1928, insistindo na sua raiz evangélica. O Espírito Santo trabalha «a seu ritmo» e distribui as graças como quer. No entanto, a insistência dos ensinamentos evangélicos sobre o chamamento universal à santidade tornou possível (ou pelo menos facilitou) reconhecer a santidade nos dois pequenos pastorinhos. E, por seu lado, a declaração solene da sua santidade incentiva a que tomemos ainda mais a sério a possibilidade de propor essa a meta a todos, sem exceção. Não afastemos as crianças dos ensinamentos de Jesus como estes se fossem «coisas para crescidos».
Por fim, releiamos uma e outra vez as palavras da homilia do dia 13: «No crer e sentir de muitos peregrinos, se não mesmo de todos, Fátima é sobretudo este manto de Luz que nos cobre, aqui como em qualquer outro lugar da Terra quando nos refugiamos sob a proteção da Virgem Mãe para Lhe pedir, como ensina a Salve Rainha, «mostrai-nos Jesus». Todos tivemos que regressar a casa no dia 13. Mas suponho que todos queremos permanecer sob esse manto de Luz que tão vivamente experimentámos a 13 de maio de 2017. Como fazê-lo? Rezando o terço diariamente, com a cabeça na Capelinha.

Pe. João Paulo Pimentel

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