13 de março de 2017

Do pároco

Sacrificai-vos pelos pecadores

D. Joaquim Mendes felicita as crianças que fizeram 
a 1ª Comunhão e o Crisma em Telheiras
Conta a Irmã Lúcia nas suas memórias que, em certa ocasião, lhe perguntaram se Nossa Senhora tinha mandado rezar pelos pecadores. Ela, laconicamente, respondeu que não. Assim que a Jacinta se encontrou a sós com a prima, censurou-a por ter mentido: «Então Ela não nos mandou rezar pelos pecadores?». Mas a Lúcia respondeu-lhe: «Por os pecadores, não. Mandou-nos rezar por a paz, para acabar a guerra. Por os pecadores, mandou-nos fazer sacrifícios» (Memórias da Irmã Lúcia, p. 129).
Como é sabido, a penitência é um dos elementos essenciais da mensagem de Fátima. Os pastorinhos tomaram muito a sério o pedido da Senhora: «Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes, em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria» (Aparição de 13 de julho, ib., p. 163).
As crianças foram descobrindo maneiras de se sacrificarem. «A urgência das necessidades dos outros reclamava a penitência, o sacrifício e a reparação» (CEP, Fátima, sinal de Esperança para o nosso tempo, 8-12-2016, n.º 12): Jejuns rigorosos, abstenção de alimentos apetitosos já na sua posse, sede, aceitação de interrogatórios maçadores ou do irritante canto da cigarra quando a Jacinta padecia uma forte dor de cabeça, oferecimento da vida perante as ameaças de morte, uma corda à cintura, a perspetiva da terrível solidão no momento da morte. E muitos mais. Exageros? 
Bem, nas palavras de Nossa Senhora, o Céu não viu as coisas assim: «Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda; trazei-a só durante o dia» (Aparição de 13 de julho, ib., p. 170). 
É provável que uma boa parte da cultura contemporânea rasgue as vestes ao ler estas palavras. Já advertiu S. Paulo que, para muitos, a Cruz seria uma loucura ou uma estupidez. Contudo, Fátima apela inequivocamente a um esforço por voltar a compreender a eficácia de nos unirmos com todo o nosso ser à vida e morte de Jesus. 
Os Pastorinhos abriram uma escola de sacrifício cujos ensinamentos se transmitiram às gerações do nosso país. No início da Quaresma, talvez seja útil redescobrir a eficácia das pequenas renúncias no nosso dia-a-dia, oferecendo-as com gosto ao Senhor em benefício de outros. Também a cada um de nós é pedido este tipo de oração «corpórea».

Pe. João Paulo Pimentel

Sem comentários:

Enviar um comentário