2 de outubro de 2016

Do Tesouro da Igreja




Porquê repetir as Avé-Marias?


A meditação dos mistérios de Cristo é proposta no Rosário com um método característico, apropriado por sua natureza para favorecer a assimilação dos mesmos. É o método baseado na repetição. Isto é visível sobretudo com a Avé Maria, repetida dez vezes em cada mistério.
Considerando superficialmente uma tal repetição, pode-se ser tentado a ver o Rosário como uma prática árida e aborrecida.
Chega-se, porém, a uma ideia muito diferente, quando se considera o Terço como expressão daquele amor que não se cansa de voltar à pessoa amada com efusões que, apesar de semelhantes na sua manifestação, são sempre novas pelo sentimento que as permeia.
Em Cristo, Deus assumiu verdadeiramente um «coração de carne». Não tem apenas um coração divino, rico de misericórdia e perdão, mas também um coração humano, capaz de todas as vibrações de afecto.
Se houvesse necessidade dum testemunho evangélico disto mesmo, não seria difícil encontrá-lo no diálogo comovente de Cristo com Pedro depois da ressurreição:
« Simão, filho de João, tu amas-Me? »
Por três vezes é feita a pergunta, e três vezes recebe como resposta:
«Senhor, Tu sabes que Te amo » (cf. Jo21, 15-17).
Além do significado específico do texto, tão importante para a missão de Pedro, não passa despercebida a ninguém a beleza desta tríplice repetição, na qual a solicitação insistente e a respectiva resposta são expressas com termos bem conhecidos da experiência universal do amor humano. Para compreender o Rosário, é preciso entrar na dinâmica psicológica típica do amor.
Uma coisa é clara! Se a repetição da Avé Maria se dirige directamente a Maria, com Ela e por Ela é para Jesus que, em última análise, vai o acto de amor. A repetição alimenta-se do desejo duma conformação cada vez mais plena Cristo, verdadeiro “programa” da vida cristã. 

S. João Paulo II, Carta apostólica “O Rosário da Virgem Maria”, n. 26.

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