2 de outubro de 2016

Do Pároco



Saborear as coisas do alto


Ao dirigir-me, pela primeira vez, a todos os paroquianos de Telheiras através deste meio iniciado pelo meu predecessor, vieram-me à cabeça umas bem conhecidas palavras de S. Paulo:
«Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo Se encontra, sentado à direita de Deus. Saboreai as coisas do alto» (Col 3, 1-2).
É missão de qualquer sacerdote ajudar a que todos assumam este programa proposto pelo grande Apóstolo aos cristãos: é preciso aprender a elevar constantemente o coração a Deus.
Pressupõe esta aspiração desatender os nossos trabalhos ou, pior ainda, converter-se numa espécie de génio espiritual despistado? De maneira nenhuma!
 «Um cristão sincero, coerente com a sua fé, não actua senão com os olhos em Deus, com visão sobrenatural; trabalha neste mundo, que ama apaixonadamente, metido nos afãs da terra, com o olhar no Céu» (S. Josemaria, Amigos de Deus, n.º 206).
Deus pede-nos que o que vemos e tocamos, os nossos trabalhos e a nossa vida familiar, enfim, tudo o que nos envolve, possa servir-nos para falar com Ele, na medida em que temos a certeza de que o Senhor do Universo está interessado no nosso dia-a-dia.
É Deus quem nos diz: «fala-me das tuas coisas!» E, quando o fazemos, aprendemos a saborear as «coisas do alto», a estar com Deus e a encontrá-Lo na nossa vida habitual.
Por isso, e parafraseando umas inesquecíveis palavras de S. João Paulo II, não tenhamos medo de abrir a Cristo as portas do nosso lar, do nosso trabalho, da nossa consciência. E não tenhamos medo de convidar outros a que as abram também.
Se, com a graça de Deus, que nunca nos falta, nós, cristãos, soubermos bater suavemente às muitas portas que ainda se encontram fechadas a Cristo, é muito provável que elas se abram e, então, muitas famílias experimentarão a alegria de saborear as coisas do alto.
Comprovarão então, como diariamente também nós comprovamos, que Cristo não vem para tirar nada, mas para encher a vida de luz e de paz, mesmo que nos peça mudanças em comportamentos que impedem ou, pelo menos, dificultam muito, olhar para cima, para as coisas de Deus.
Invoquemos para esta missão os Santos Anjos (cuja festa não se celebrará liturgicamente por ser domingo), recordando que Eles constituem, em palavras de S. João Paulo II, o «ambiente mais próximo do Criador» e, portanto, saboreiam plenamente as coisas do alto.

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