3 de julho de 2016

Do Pároco

Vai ser como voltar a casa


 Quando falamos de “vocação", com frequência encolhemos a palavra para apenas indicar que Deus chama alguém para O seguir mais perto mas mais longe do corrente do mundo, seja na clausura, seja no serviço aos outros. E assim, por exemplo, sentimos grande admiração e contentamento se uma jovem ingressa numa comunidade religiosa, ou um rapaz maduro entra num seminário.
No entanto, a vocação não é só isso. Não devemos esquecer que todos – e, portanto, tu e eu – somos objecto de um chamamento divino “personalizado” e “premeditado”. Diz S. Paulo, a respeito de todos os homens: “Deus chamou-nos para ser santos, antes da constituição do mundo”. Ou seja, todo o homem é portador de uma vocação divina, ou se preferirmos, surge na vida como fruto de um chamamento de Deus à existência. E para que fim é que Deus o chama ou faz nascer? Para a santidade, ou seja, para um relacionamento de amor pleno com Deus, ao cumprir bem, esforçadamente, o que lhe toque: obrigações profissionais, de estado (casado ou solteiro) e de relação com os outros, assumindo as orientações fundamentais de Jesus: “Sede perfeitos como o vosso Pai celestial é perfeito” e “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”.

Se calhar nunca pensámos nisso seriamente: cada um de nós é querido, cada um de nós é amado; ninguém surge por acaso. Ou, se calhar, até pensámos, mas assobiámos para o lado e, ao fazer-nos distraídos, estamos afinal a confessar a nós mesmos que não é correcto não querer saber que desejos tem para nós o Deus que nos criou um a um para um destino concreto.
Seja qual for o nosso estado ou condição, já é hora de levar a sério o sentido pessoal e mais profundo da nossa vida. Se nascemos foi por vontade expressa de Deus, que não se esquece de nós, e nos dá a sua graça para vencermos. Assim, um dia, quando o Senhor quiser, poderemos entrar definitivamente no Céu, na alegria sem limites e perfeita do próprio Deus onde se encontram todos os santos.

Será uma espécie de regresso a casa, onde pertencemos. É o nosso sonho... E é o sonho de Deus. Ele suspira por nos ver por lá, bem junto dEle.

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