7 de maio de 2016

Do Pároco

Deus à mão de semear

Às vezes podemos sentir uma espécie de distância grande entre nós e Deus. A ideia que a fé cristã de quem é Deus e de quem somos nós só fala de proximidade.

Criou-nos à sua imagem e semelhança, como escreve o Génesis. Assim podemos conhecê-Lo – Deus é um ser inteligente – e amá-Lo, retribuindo o Amor que nos tem.

Mas Deus não apenas nos criou. Redimiu-nos. Reconquistou a possibilidade de podermos atingir a felicidade eterna – o Céu –, que o pecado humano tinha perdido. Não há maior prova de amizade do que aquele que oferece a sua vida pelos seus amigos, observava Cristo. Foi o que Jesus fez. Foi o que vimos na passada Semana Santa. Ressuscitando ao terceiro dia demonstrou que é Senhor da Vida e da Morte. Manifestou que era homem e podia morrer, mas não aniquilou a sua existência.

E encarnou, não de uma forma esquisita ou chamativa, como se fosse uma espécie de um ET exuberante que aparecesse entre os homens. Pelo contrário, foi concebido e depois nasceu como todos nós, inerme. Se Nossa Senhora e S. José lhe não tivessem cuidado como fazem os pais, Jesus Cristo teria morrido. Quis ser homem, não de um modo estranho. Aceitou todas as consequências inerentes à natureza humana.

Quando os apóstolos pedem a Cristo que os ensine a rezar, não lhes indica que falem para um ente longínquo, inacessível. Jesus explica que as nossas relações com Deus são familiares, a de um filho com o pai. “Pai Nosso...”

O Senhor ascendeu aos céus até aos fins dos tempos. Mas ficou entre nós, como um amigo verdadeiro que não quer afastar-se. Na Eucaristia Cristo está presente realmente no Sacrário. Está ali, dia e noite, à espera de nós, e que lhe contemos as nossas dificuldades, alegrias, tristezas, enfim a vida tal como ela é.

Na Cruz,  Jesus não se importou de deixar de ser o filho único de Maria. Quis que a sua Mãe passasse a ser nossa Mãe. Assim, Cristo "obriga-se" a aceitar os pedidos da sua Mãe, não só porque pede pelos homens que quer salvar, mas porque agora é uma Mãe verdadeira que pede pelos seus filhos.

Ofendemos a Deus? Talvez sejamos justos, pois o justo peca sete vezes por dia, diz o livro dos Provérbios. Mas o perdão divino está sempre activo. E é concreto: está no sacramento da Penitência ou Confissão. Aí, ficamos seguros de que os pecados ficam mesmo perdoados. Basta estar sinceramente arrependidos.

Como é possível pensar no nosso Deus como um Deus distante?

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