5 de março de 2016

Do Pároco

Maria ouviu de tudo, mas não arredou.


Sempre nos sentimos bem quando nos encontramos com Nossa Senhora. Ela é Mãe e, como todas as mães, tem o dom de aplainar as dificuldades, acalmar os ânimos, dar mostras de carinho quando o necessitamos, enfim, manifestar que o amor maternal é uma realidade que espelha, de forma clara, o amor que Deus nos tem.
É por isso que, neste tempo quaresmal, devemos unir-nos a Maria, que é Mãe comum de Cristo e nossa, no lugar e na ocasião em que ela teve de viver os momentos mais difíceis da sua vida: o Calvário.
Compreendemos que Maria Santíssima quisesse estar junto do seu Filho nessas circunstâncias. Ela acalentava-o com o seu olhar doce e sofredor, embora expondo-se às críticas e aos juízos negativos de todos aqueles que, supondo que Jesus tinha sido justamente condenado, d’Ele troçavam e Lhe atiravam à cara as injúrias que os Evangelhos nos testemunham: “Se és Filho de Deus, desce da Cruz! (...) “ Se é Rei de Israel, desça agora da Cruz e acreditaremos” (Mt 27, 40-41). Ela, como Mãe d’Aquele condenado, que educação Lhe teria dado? Só uma má mãe O deixaria chegar àqueles extremos.
Pouco conhecida em Jerusalém, só lhe restava ser apontada, por esse motivo, como a mãe do malfeitor que os membros do Sinédrio e a própria autoridade romana tinham levado ao suplício mais humilhante para os que tinham um comportamento indesejável.
Tudo isso a nossa Mãe deve ter ouvido. Maria não se importava, embora sofresse, porque uma mãe não pode abandonar o seu filho num momento tão dramático, nem ser insensível à injustiça com que o tratam. A sua presença no Calvário era já de si uma espécie de bálsamo que atenuava e consolava Jesus no seu sacrifício.
Mas, para Cristo, a estadia de sua Mãe junto à Cruz representava também um duplo sentimento, onde se cruzavam a alegria interior e o agradecimento.
A alegria interior, porque Maria talvez fosse, naquela trágica situação, a única pessoa que entendia o sacrifício redentor de Jesus. Ao vê-la, sentia que ela aprovava a entrega da sua vida por todos os homens, a fim de que eles pudessem, de novo, receber a graça de Deus e a filiação divina, dons indispensáveis para poder entrar no Reino dos Céus.
E o agradecimento, porque toda a educação recebida de sua Mãe e também de S. José O ensinara a fazer a vontade do seu Pai Deus, por mais difícil ou radical que ela se apresentasse. E a Cruz, com toda a sua violência, dor e humilhação, eram a prova clara de que Jesus, sob o ponto de vista humano, aprendera de seus pais a lição de um modo exemplar.
Peçamos a Nossa Senhora que, nesta Quaresma, ela que aceitou ser nossa Mãe pouco antes de Cristo morrer, nos ensine a lição do Calvário, que exige a disponibilidade total da nossa parte para fazer o que Deus nos pede. E que nos ajude, com a sua intercessão, a ser bons alunos dos ensinamentos que tiver por bem comunicar-nos.

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