30 de janeiro de 2016

Do pároco

Se Deus mudou o mundo com 3 crianças, porque não contigo?

            Para nós, portugueses, Fátima manifesta uma especial predilecção da Mãe de Deus e nossa Mãe, ao fazer uma visita – dir-se-ia “física” – ao nosso país, apresentando-se na Cova da Iria a três compatriotas nossos, que bem podiam ser uma imagem do Portugal de então: simples, humilde e discreto.
            Eram três crianças duma aldeia desconhecida, a quem Maria Santíssima, enviada por Deus, confia uma mensagem de penitência e de oração constantes, que elas, com toda a boa vontade, cumprem da melhor maneira.
            Foi já há perto de cem anos. Mas o que elas fizeram e o que elas viveram suscitou em todo o país e no mundo inteiro uma renovação dos compromissos cristãos de muitíssimas pessoas que, a partir de então, vão a Fátima reconciliar-se com Deus, sob a protecção maternal de Nossa Senhora.
            A lógica divina, tantas vezes discutida e desprezada, revela-se em Fátima na sua plenitude. Deus não precisa do poder humano para espalhar a sua misericórdia. Basta-lhe o concurso de três crianças analfabetas, a quem confia uma tarefa complexa, para que esta vingue e se imponha.
            Deus é omnipotente. Mas ao criar-nos livres, à sua imagem e semelhança, dispõe os seus projectos como melhor entende. Só precisa de instrumentos dóceis que, com singeleza e prontidão, façam o que Ele lhes pede.
            Assim foram os três pastorinhos de Fátima. Não eram importantes, nem estavam bem colocados na vida e na sociedade. Pelo contrário, no seu destino, se Deus, através da sua Mãe, não os tivesse chamado seriam, no presente, pessoas perfeitamente desconhecidas, que teriam realizado a sua existência no anonimato mais normal.
            Deus não quis assim. E, sem mudar o rumo da sua condição, com a maior simplicidade, faz-nos hoje contemplar os pastorinhos com a alegria de ver dois já nos altares, como santos da Igreja, e de ter podido acompanhar o caminho da mais velha dos três, no seu compromisso total com o Senhor numa vida de entrega, primeiro como Doroteia e, depois, como Carmelita.
            Os Beatos Francisco e Jacinta, bem como a irmã Lúcia, são para nós motivo de regozijo e de edificação da nossa Fé em Deus, no seu poder, no seu conhecimento e na sua acção. Qual seria o homem, que ao querer apresentar aos seus semelhantes uma missão universal de compromisso e de doação a Deus, se lembraria de ir à pequena e desconhecida aldeia de Aljustrel, num país pouco importante como o nosso, buscar os instrumentos adequados a essa missão, através do concurso de três crianças analfabetas?
            Com a visita à nossa cidade da imagem peregrina de Fátima, recorramos à nossa Mãe com mais confiança e, bem assim, à intercessão dos três pastorinhos, com o intuito de vivermos com toda a intensidade o Jubileu da Misericórdia, a que o Papa Francisco tanto nos anima.

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