5 de agosto de 2015

Do Pároco

Mas a nossa oração é mesmo atendida?

Coroação da Virgem Maria (Murillo)
Muitos dos nossos paroquianos encontram-se longe de Lisboa no gozo de férias.

Mas isso é perfeitamente compatível com a ligação a duas realidades bem necessitadas para as quais o Papa Francisco pede atenção: o mundo da família na sociedade actual e o próximo Sínodo de Bispos de Outubro, que contamos dê pistas de solução a numerosos problemas que as famílias enfrentam.

Todos devemos rezar com empenho e acompanhar os nossos rogos pelo sacrifício, a fim de que a família, sociedade natural que Deus quis para os homens, seja amparada e robustecida em todo o mundo. 

Mas pode brotar a desconfiança: como é que a nossa oração pode conseguir alguma coisa? Não será apenas uma espécie de fuga para nos dar paz e serenidade? Mais: afinal quem somos nós para que Deus dê alguma importância ao que Lhe pedimos? Aliás, santos não somos; e tantas vezes andamos agarrados às nossas misérias. Como é que Ele  vai ligar às nossas petições?

E assim pode instalar-se uma certa distância de Deus. É verdade que continuamos a não querer que nos castigue, mas também não buscamos a intimidade com Ele. Temos medo de complicar a vida ou de rectificar modos de actuar a que estamos presos. É este um sub-mundo perigoso, interior, moral e espiritual, onde o calculismo tende a mandar criando um clima estranho no coração, a que podemos dar o nome de tibieza.

Felizmente, essa nossa débil e inconstante capacidade de amar está muito longe da forma como Deus ama. A sua infinita misericórdia, que O leva a perdoar-nos sempre, é um Amor incondicional, fortíssimo, máximo, por nós. Por isso, quando Lhe pedimos alguma coisa, Ele imediatamente no-la concede, se vir que é bom para nós. A sua capacidade de solucionar um problema ou conceder um benefício não conhece limites, pois o seu poder é omnipotente. Não curou ele doentes graves? Não ressuscitou mortos e até a Si mesmo, como Senhor que é da vida e da morte?

Tudo isto nos deve levar a ter uma enorme, total confiança em Deus e a pedir-Lhe pelas imensas necessidades que vemos à nossa volta nos outros, ou pessoais. E também que nos inspire absoluta confiança de que o que nos pede é sempre o melhor para nós, ainda que não compreendamos porquê, ou seja difícil ou custoso.

Maria Santíssima, a quando do anúncio que lhe fez o Arcanjo S. Gabriel sobre a vontade de Deus a seu respeito – ser a Mãe do Messias prometido –, não hesitou minimamente em fazer o que o Senhor lhe pedia. Mas com a sua rendida fidelidade, pediu com humildade ao Arcanjo que a elucidasse sobre o modo de concretizar a vontade de Deus, a fim de que a sua obediência fosse total e absoluta.

Que ela nos ajude a fazer o que podemos pela nossa família e pelas que conhecemos, e a ser bons rezadores por elas e pelo próprio Sínodo de Outubro.

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