8 de junho de 2015

Do Pároco

O perigoso “eu” ameaça as férias

O mês de Junho encontra-nos a todos com o cansaço próprio do final de um ano laboral e o desejo crescente de um período de férias repousante, onde renovarmos as forças que agora nos faltam para depois poder enfrentar um novo ano.

Para um cristão, a retoma de forças que pretende não pode nem deve dizer respeito apenas ao aspecto corpóreo e a um desanuviamento das ideias um tanto depressivas que todos sentimos em momentos de maior fadiga.

Não faz sentido descansar sem Deus, como se Cristo nos tivesse vindo redimir para que pudéssemos ir de férias sem Ele, ou como se fosse um estorvo para o nosso restabelecimento.

Só motivos de ignorância doutrinal ou de orgulho nos poderiam levar a enxotar Jesus dos nossos tempos de lazer. E se com Ele convivermos, podemos ter a certeza de que sairemos das nossas férias com mais alegria e tranquilidade, porque Deus está na origem de tudo o que é bom, belo e alegre no ser humano e do que concorre para a sua felicidade.

Tentar fazer das nossas férias uma espécie de "ghetto", onde o meu eu seja o ponto de referência principal, com exclusão de Deus, é uma ilusão de descanso e até de conforto, porque significa uma concessão ao meu egoísmo. 

Se eu quero substituir Deus – ou, pelo menos, quero que Ele não me incomode nem se intrometa no que faço, no que penso e no que planeio –, acabo por me encontrar dando voltas sobre mim, sem um sentido de boa convivência com os outros que me cercam. Mais, posso pô-los de parte, por julgar que são um empecilho ao meu descanso, pois não conseguigo fazer aquilo que a minha imaginação “criou” para que, de facto, com nada me aborreça nem os outros me incomodem.

Se isto se dá no seio duma casa, o pai deixa de querer estar com os filhos o tempo que eles merecem, a mãe com pai e os filhos sofrem interiormente pela falta de entrega à vida familiar dos seus progenitores.

Sem irmos com Deus para as nossas férias, perderemos a oportunidade de O encontrar como Ele é: o meu melhor Amigo e o mais responsável pelo meu bem. E é Quem sabe como orientar as actividades e ocupações num convívio com os mais próximos cheio de compreensão e de entrega.

Aproveitemos as férias para conviver familiarmente com o Senhor, dedicando de certo à oração e à intimidade com Ele mais tempo e mais ocupação. Deus não desilude quem O procura. E peçamos à sua e nossa Mãe, a Virgem Santíssima, esta graça.

P. Rui Rosas da Silva

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