8 de fevereiro de 2015

Do tesouro da Igreja

“Ponham-se em realce, tanto na Liturgia como na Catequese litúrgica, os dois aspectos do tempo quaresmal, que pretende, sobretudo, através da recordação ou preparação do Baptismo e de penitência, preparar os fiéis, que devem ouvir com maior frequência a palavra de Deus e dar-se à oração com mais insistência, para a celebração do mistério pascal” (1).

A Quaresma é, pois, o tempo de preparação para a Páscoa do Senhor, para uma transformação em Cristo ressuscitado. Para nós, que já recebemos o Baptismo (...) esta preparação concretiza-se em recordar os compromissos baptismais e em actualizar ou recuperar as suas riquezas pelo sacramento da Penitência.

A conversão não há-de ser encarada apenas como um esforço pelo aperfeiçoamento pessoal, mas como uma luta para nos transformarmos cada vez mais em Cristo, de tal modo que possamos dizer com verdade: “Já não sou eu quem vivo, é Cristo que vive em mim” (Gál 2, 20).

A Quaresma, além desta estrutura cristocêntrica, apresenta-nos também uma estrutura social: “A penitência não deve apenas ser interna e individual, mas também externa e social” (2).

Na verdade, cada um de nós tem de dar uma resposta pessoal ao convite do Senhor à salvação eterna, sem esquecer que Ele nos chamou a fazer parte de um Povo, que é necessário edificar também com o nosso testemunho de vida e acção apostólica. “Aprouve a Deus salvar e santificar os homens, não individualmente, excluída qualquer ligação entre eles, mas constituindo-o em povo que O conhecesse de verdade e O servisse santamente” (3)

Em síntese: a mensagem quaresmal deve levar-nos a uma maior unidade de vida e de generosidade no apostolado.
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(1) Concílio Vaticano II, Constituição sobre a Sagrada Liturgia, nº 109; (2) Ibidem, nº 110; 
(3) Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática sobre a Igreja, nº 9.

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