8 de fevereiro de 2015

Do pároco

Que contributo posso dar ao Sínodo da Família?


Neste ano, todos devemos reflectir profundamente sobre a realidade da família, que mereceu da Igreja uma atenção recente e deixou a todos os fiéis e autoridades eclesiástica como que com a missão de pensar, descobrir e encontrar rumos certos para esta instituição fundamental da sociedade. “Os valores e as virtudes da família, as suas verdades essenciais, são os pontos de força sobre os quais se apoia o núcleo familiar e não podem ser postos em discussão” (Papa Francisco, Carta 9/12/14)

Para nós, cristãos, não pode passar ao lado um aspecto fundamental, que fala da bondade e do acerto da família para receber um novo ser humano na vida e ajudá-lo a formar-se como pessoa de bem e consciente das suas responsabilidades.

Olhando para Belém e o seu Presépio, simples, pobre e humilde, constatamos imediatamente que Deus Nosso Senhor, para realizar a obra da Redenção do género humano, escolheu como ponto de partida e de apoio, uma família entre muitas. Não era importante pela sua posição social, não era importante, sequer, pelo lugar onde veio ao mundo, numa situação histórica em que o poder dos grandes vivia em Roma. Deus escolheu, por assim dizer, uma espécie de “quintal” do soberbo Império e não um lugar de privilégio, onde todos pudessem presenciar a maravilha de Deus Se tornar homem.

Pelo contrário, Deus tornou-Se homem de uma forma discretíssima. E não surgiu no nosso mundo como uma espécie de ET poderoso, capaz de cativar e assombrar num aparecimento majestoso e surpreendente. O Menino Jesus, que nasce de Maria Santíssima nos arredores de Belém, numa gruta escondida, é um simples bebé completamente entregue ao cuidado dos seus pais. Precisou deles não só para nascer e ser educado, mas para sobreviver. Se a sua Mãe e S. José O abandonassem, Jesus não seria capaz de resistir e morreria. Foi exactamente como qualquer um de nós, que os nossos pais cuidaram e protegeram com todo o carinho e todo o amor que lhes foi possível nos primeiros anos da nossa existência.

Depois, aprendeu a falar, a rezar e a relacionar-Se com os outros, de acordo com as normas educativas e sociais vigentes no seu mundo hebreu. De S. José familiarizou-Se com a arte da sua futura profissão. Ou seja, foi uma pessoa normal, que, tal como todo o ser humano, teve de aprender e ser educado. Para o efeito, escolheu a família como meio mais adequado para o desempenho das suas tarefas humanas e até divinas, porque Jesus procurou, através da sua humanidade, tornar-Se exemplarmente mais acessível a todos nós.

A Igreja decidiu, neste ano, reflectir com toda a profundidade sobre a realidade da família, exactamente porque ela é o ambiente certo para os homens aprenderem, como Jesus Cristo, a ser homem.

Qual o contributo que cada um de nós pode dar para o êxito desta reflexão? Provavelmente, não seremos peritos na matéria. No entanto, a ideia de que Jesus quis aprender a ser homem no seio de uma família, conduz-nos necessariamente à conclusão de que todos devemos estar atentos aos passos que a Igreja empreender para levar a bom termo este seu intento. 

Cada um, no seio do seu ambiente familiar, procure vivê-lo como as três Pessoas do lar de Nazaré o fizeram: com amor, compreensão pelos outros e desejo de tornar-lhes a vida mais agradável, isto é, fugindo do egoísmo e dando-se sem reservas.

E reze generosamente a Jesus, Maria e José, pondo nas suas mãos santas o esforço que a Igreja quer realizar para que todos os lares cristãos sejam dignos do modelo da família que criou e educou o nosso Salvador e Redentor. 

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