12 de dezembro de 2014

Do Pároco


O Presépio é chocante?

Sagrada Família, de Claudio Coello
Quando olhamos para o Presépio ainda ficamos surpreendidos? E com quê?

Se descontarmos o lugar – ou será que alguém já encontrou um casal com um bebé num estábulo? – a situação parece banal: um menino chamado Jesus saboreia o carinho dos pais, Maria e José.

Só que... esse Menino é Deus, nem mais nem menos: a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, que encarnou de forma discreta. Os pais sabem disso, e não podem em si de contentes.

Este é um bebé que decidiu nascer. Todos os outros bebés nasceram sem perceber o que estava a acontecer. Sendo um bebé que nasceu porque quis podemos pensar que premeditou muitas coisas que lhe aconteceram.

Dispensou uma casa confortável, mas não dispensou o carinho de um pai e de uma mãe. Teve, depois, a sorte de que Maria e José se empenharam livremente em ser óptimos pais. Podiam não ter sido...

Mas este bebé quis, no resto, ser um bebé como os outros: não usou super-poderes para ter uma infância mágica e de livros de ficção. Sem os pais teria morrido de fome, de doença ou vítima de qualquer perigo.

Escolheu, sim, uma família jovem e economicamente modesta. Não quis começar logo entre personagens influentes e importantes do seu tempo. Optou pelo amor e aconchego de um casal trabalhador e muito de Deus. Deixou-se criar por eles, brincou e riu muito,  aprendeu a comportar-se com os homens e com Deus. Viu como o pai e a mãe gostavam muito de Deus Pai e dele e do Espírito Santo.

Quando, no início, Deus criou o homem – varão e mulher os criou – "viu" que era muito bom. Agora, na Palestina, Deus "experimenta" na carne como é mesmo muito bom.

É verdade: se pensarmos bem no que está em causa, o Presépio tem de nos deixar de boca aberta.

O Presépio diz muito de como é Deus. E nele, Deus diz-nos muito de como deve ser o homem.

O Presépio diz-nos que a nossa família – tal como é, com as grandezas e as limitações concretas "lá de casa" e das pessoas que somos - é um espaço divino, onde vivemos os que somos, mais um: Deus.

Deus está na família, não como quem só exige, mas como quem, sobretudo, ajuda. 

Por isso, é possível que marido, mulher e filhos, cada dia voltem a dizer "peço desculpa", "peço licença", e "obrigado", que para o Papa Francisco são os três segredos da receita da felicidade da família.

No domingo a seguir ao Natal festejamos a Sagrada Família, a família de Deus. Um espelho onde as famílias todas se tentam olhar.

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