4 de outubro de 2014

Do Pároco

Afinal, que currículo vale mais?


Beato Dom Álvaro del Portillo
Álvaro del Portillo, que acaba de ser beatificado em Madrid, onde nasceu em 1914, é um exemplo de uma figura importante da Igreja, à qual dedicou toda a sua vida.
Muito humilde e eficiente, alegre e cheio de bonomia, com um sorriso e uma postura que inspirava paz ao seu redor, o novo beato sempre deu o seu melhor para corresponder aos vários pedidos que a Igreja lhe foi fazendo.

Com trinta e dois anos, em 1947, Pio XII nomeou-o secretário da Comissão especial para os Institutos Seculares, criada dentro da Congregação do Religiosos. Isto não o impediu de, dois anos mais tarde, acrescentar ao seu doutoramento em História, novo doutoramento, com uma tese em Direito Canónico. Publicou vários artigos sobre a formação do sacerdote e diversas questões jurídicas. Colaborou nas actividades de vários dicastérios da Santa Sé. Em 1955, Pio XII nomeou-o Consultor da Congregação dos Religiosos.

As proximidades do Concílio Vaticano II voltam a ocupá-lo de um modo intensíssimo. Em 2 de Maio de 1959, é nomeado Consultor da Congregação do Concílio; em Agosto é designado Presidente da Comissão sobre o laicado; depois nomeiam-no, membro da Comissão ante-preparatória dos estados de perfeição, e é ainda eleito membro da Comissão da Congregação do Concílio. Enfim, em 1960 recebeu nova nomeação, agora para a Congregação do Santo Ofício.

Assistiu com alegria em 11 de Outubro de 1962 à abertura solene do Concílio, mas já sabia que o Santo Padre o tinha nomeado Perito conciliar. Mais: pelo Presidente da Comissão para a Disciplina do Clero e do Povo Cristão, Cardeal Ciriaci, dizem-lhe que será Secretário desse organismo. E ainda é nomeado como consultor das Comissões para os Bispos e regime das dioceses, Religiosos e Disciplina da Fé.

Impressiona-me o volume tão grande de trabalho que o novo Beato realizou para a Santa Sé durante o Concílio e depois, até à sua morte, em 1994. Os colaboradores e superiores reconheceram nele a competência, a laboriosidade, o amor à Igreja e um grande coração que criava em torno a si uma sensação de paz e de grande tranquilidade.

D. Guillaume van Zuylen, Bispo Emérito de Liège, que com ele trabalhou na elaboração do Decreto Presbyterorum Ordinis, testemunhou que o Beato Álvaro del Portillo era: “... um trabalhador metódico, um homem que escutava e colaborava, um amigo com um coração delicado e fiel, um sacerdote com uma profunda vida espiritual”. E o Cardeal Palazzini, que foi Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, escreveu: “... trabalhava com grande competência e completo desinteresse ao serviço da Igreja”.

Pois este homem que serviu, como poucos, a Igreja em tantas funções de importância,confessou que o que na vida lhe dava maior satisfação era poder celebrar diariamente a Eucaristia e receber semanalmente o perdão dos seus pecados na confissão.
É assim que os santos são.

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