18 de agosto de 2014

Do pároco

Papa Francisco solta uma pomba (15-5-2014)
    Não podemos ficar indiferentes pelo que se passa no mundo, como espectadores dum panorama de violência forte e de crueldade desumana, sobretudo quando se acendem focos de guerra impiedosa, como é o caso do que se tem passado na Terra Santa, na Síria e na Ucrânia, para citar apenas as zonas conflituosas a que a comunicação social dá maior relevo.
    O Papa Francisco tem sido arauto deste triste espectáculo de morte e de destruição e, na medida das suas possibilidades e prestígio, procurou congregar partes opostas, pediu orações pela paz e sempre, nas alocuções diversas com que comunica aos fiéis católicos e aos homens de boa vontade que o escutam as suas preocupações, se refere a esses focos bélicos com a pena de quem vê destruir-se casas e cidades, morrer pessoas inocentes, obrigar à fuga precipitada de multidões indefesas e de todos os flagelos tremendos que uma situação de guerra provoca.
    Não digamos que somos impotentes para evitar tais desvarios do género humano. Se acreditamos na força da oração, seremos constantes rezadores diante de Deus e de Sua Mãe Santíssima pela causa da paz, porque acreditamos que todos os homens  foram criados por Deus para viverem na boa convivência, no amor recíproco e na compreensão e respeito pelas diferenças culturais e religiosas entre povos e pessoas, desde que não sejam atentatórias  da dignidade da nossa natureza.
    A violência da guerra, se já de si é lamentável e causadora de tantas situações de miséria, de fome e de dor, esconde com frequência um sub-mundo de interesses inconfessáveis, onde fabricantes de armas as colocam nas mãos de poderes políticos usurpadores de direitos fundamentais, a troco de somas astronómicas, que são usadas para a morte e para a ruína económica e social, e não para o investimento de bens e meios essenciais para que uma sociedade possa viver com calma e serenidade, distribuindo a riqueza de um modo o mais justo possível.
    Com frequência, acirram-se ódios em sociedades com poucos recursos, ou com recursos abundantes mas sem capacidade civilizacional para os poder utilizar devidamente, a fim de que se iniciem conflitos que levam à venda de armamento.
   Todos estes baixios soturnos e repugnantes, que são consequência do pecado humano e da ambição desmedida de poder pelos negócios fáceis e super-rentáveis, devem levar-nos a fazer um sério exame de consciência sobre o nosso comportamento perante o panorama de guerra que sempre se está a acender no mundo. E não digamos: o que posso eu fazer?
    Esta questão tem uma resposta cristã iniludível, que já acima referimos: rezar abundantemente pela paz e também por toda a gente que está a sofrer as consequências da guerra. Não o fazer para um cristão, seria uma atitude egoísta e cobarde, além de revelar falta de fé.
    A nossa oração assídua pela paz entre os homens não é uma fantasia inútil nem um conto de fadas infantil. É o que Deus nos pede e uma forma de manifestarmos a nossa solidariedade para com todos os que suportam com sofrimento os rigores e os horrores da guerra.
    Recordemos que Nossa Senhora, em Fátima, durante as aparições, convidou variadas vezes os três pastorinhos a rezar por esta causa tão importante em 1917 como nos nossos dias, já que se trata de uma necessidade permanente da humanidade.

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