5 de junho de 2014

Do tesouro da Igreja

A propósito da Solenidade do Pentecostes (*)

O Senhor disse aos discípulos: Ide, ensinai todos os povos, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Com este mandato, o Senhor dava-lhes o poder de regenerar os homens em Deus.
(...) S. Lucas diz que este Espírito, depois da ascensão do Senhor, desceu sobre os discípulos no dia de Pentecostes, com o poder de dar a vida nova a todos os povos e de os fazer participar na Nova Aliança; por isso se uniram naquele dia todas as línguas no mesmo louvor de Deus, enquanto o Espírito congregava na unidade as tribos mais distantes e oferecia ao Pai as primícias de todas as nações.
O Senhor tinha prometido enviar-nos o Paráclito, que nos havia de preparar para receber a Deus. Assim como a farinha seca, sem a água, não se pode amassar para fazer um só pão, também nós, que somos muitos, não podemos transformar-nos num só Corpo, em Cristo Jesus, sem a água que vem do Céu. E assim como aterra árida não dá fruto se não for regada, também nós, que éramos antes como uma árvore ressequida, nunca daríamos frutos de vida sem a chuva da graça que desce do alto.
De facto, os nossos corpos receberam pela água do Baptismo aquela unidade que os leva à incorrupção, e as nossas almas receberam-na pelo Espírito.
O Espírito de Deus desceu sobre o Senhor como Espírito de sabedoria e de inteligência, Espírito de conselho e de fortaleza, Espírito de ciência e de piedade, Espírito de temor de Deus. E é este mesmo Espírito que o Senhor deu à Igreja, enviando lá do Céu o Paráclito sobre toda a terra, de onde também Satanás fora precipitado como um relâmpago, segundo a palavra do Senhor.
Por isso, temos necessidade deste orvalho de Deus, para que demos fruto e não sejamos lançados no fogo, e para que tenhamos também um Advogado onde temos um acusador.
Efectivamente, o Senhor encomenda ao Espírito Santo o cuidado da sua criatura, daquele homem que caíra nas mãos dos ladrões e a quem Ele, cheio de compaixão, vendou as feridas, entregando dois denários reais, para que nós, recebendo pelo Espírito a imagem e a inscrição do Pai e do Filho, façamos frutificar este denário que nos foi confiado e o restituamos com bons rendimentos ao Senhor.

(*) St. Ireneu, Tratado contra as heresias (Lib. 3, 17, 1-3; SC 34, 302-306).


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