5 de junho de 2014

Do Pároco

Merecido Descanso


D. Joaquim Mendes crisma o David Chora.
O padrinho, Gonçalo Tavares, o ajudante Luís
Delgado e o P. Rui Rosas (25-05-2014)
O mês de Junho, para muitos de nós, representa uma espécie de patamar entre o ano laboral prestes a terminar ou mesmo encerrado para muitos que estudam, e o período de férias que todos anseiam para descansar e revigorar as suas forças, tendo em conta o ano próximo que se avizinha cheio de trabalho e de preocupações.

O ansiado momento de descanso e relaxamento não deve ser orientado por nós sem uma visão cristã do que é o verdadeiro descanso e da nossa relação com Deus, nosso Pai e nosso Criador.

O inventor do descanso foi o próprio Deus, que na Bíblia Sagrada nos ensina que, uma vez bem terminada uma tarefa, o repouso é uma realidade que devemos assumir e viver. Lembremos que, como se escreve no Génesis (1, 31; 2, 3), “Deus viu tudo o que havia feito, e tudo era muito bom (...) e, no sétimo dia, Ele descansou de todo o seu trabalho. Deus então abençoou e santificou o sétimo  dia, porque foi nesse dia que Deus descansou de todo o seu trabalho como criador”. 

Tenhamos presente que o “descanso “ divino só aparece depois de verificar que tudo o que havia criado “era muito bom” e não fruto de uma acção desleixada ou imperfeita. Por isso, nós, que fomos criados à imagem e semelhança de Deus, ou seja, somos parecidos com o próprio Deus, temos obrigação de acabar bem os nossos trabalhos para merecermos um descanso justo e proporcional ao esforço desenvolvido.

Não se põe em dúvida que quem trabalha merece férias, tempo de descanso... Mas quando para elas vai ou se prepara, não esqueça que as deve a Deus e que, por esta razão, não pode fazer desse espaço de descontracção e de renovação de energias uma espécie de terreno fechado, onde Ele não pode entrar nem tem possibilidade de, com a sua presença e os seus conselhos, orientar a nossa vida. E pela nossa parte, prestarmos-Lhe com mais calma e discernimento, o agradecimento que Lhe devemos
Pensemos que, a não ser por motivos de egoísmo e de indiferença, um amigo não abandona o seu amigo em quaisquer circunstâncias. Não é que Deus precise de nós em sentido objectivo, porque n’Ele, que é perfeito em absoluto, não existe nenhuma necessidade. O problema é diferente. Temos de o encarar pela qualidade do seu Amor para connosco. Em primeiro lugar, Deus manifestou-o ao querer que nós existíssemos. Não estamos aqui por acaso, mas por estrita vontade do Criador, que nos quer dar a felicidade celestial – o maior bem a que podemos aspirar. Depois, porque trata de nós com um desvelo incansável, oferecendo-nos todas as possibilidades para sermos já aqui felizes e, assim, aspirarmos à felicidade perfeita da eternidade junto de Si. 

A Redenção realizada por Cristo demonstra que Deus não desistiu de nos tornar verdadeiramente felizes, reconquistando para nós a possibilidade de entrarmos em plenitude no seu Reino, o Reino dos Céus, reconquistando para o homem, através de Cristo, a graça e a filiação divina. Se um amigo gosta de estar próximo dos seus amigos e à sua disposição, reparemos na presença real de Cristo na Eucaristia. Disponível 24h sobre 24h, podemos abeirar-nos d’Ele sem dificuldades, conversar com Ele, pedir-Lhe o que necessitamos, dar-Lhe graças pelos benefícios que nos concede e desafogar as nossas mágoas.

Por fim. Recordemos que o seu Amor se manifesta duma forma incontornável no perdão que nos concede. Quem mais perdoa do que Aquele que nos aconselha a saber desculpar os outros até “setenta vezes sete”? Evoquemos a parábola do “Filho pródigo” e entenderemos melhor a qualidade do perdão divino, fruto dum Amor incomensurável por quem O desprezou. como Pai.

Enfim, não partamos para férias sem Deus. Seria uma injustiça brutal. Peçamos a Nossa Senhora que nos ajude nesse espaço de tempo a sermos filhos agradecidos e fiéis de Quem tanto gosta de nós.

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