8 de maio de 2014

Do Pároco

                   DOIS PAPAS – DOIS SANTOS

S. João XXIII e S. João Paulo II
    
    No último domingo do mês passado, assistimos, certamente muito felizes, à canonização de dois papas que governaram a Igreja no passado século e primeiros anos do novo milénio. Referimo-nos, como é óbvio, a S. João XXIII e S. João Paulo II. Se os juntamos a S. Pio X, são três os papas do século XX, que subiram aos altares até agora. 

    Mais perto temporalmente de nós, S. João Paulo II cativou-nos com a sua presença forte e aprazível, que conquistou multidões e arrastou tantas almas a aproximar-se decididamente de Cristo, seguindo os caminhos que Ele lhes propunha. São incontáveis, por exemplo, o número de jovens que se sentiram atraídos para uma vida de entrega a Deus mais exigente, como o sacerdócio. Recordamos também com saudade e emoção os últimos dias da sua vida, vendo pela televisão a Praça de S. Pedro cheia de pessoas que aí acorriam para rezar pela saúde de João Paulo II, que, por lei desta vida, se ia aproximando inexoravelmente do fim.

    E lembramos também as suas visitas ao nosso país, que quase sempre tiveram como pano de fundo Fátima, porque a sua piedade mariana era contagiante e intensa, como sugeria abertamente o lema “Totus Tuus”, todo de Maria. Inesquecível era ainda a sua figura humana agradável e vigorosa, alegre e prazenteira, que tornava a figura do Papa mais próxima de nós, pois nela se descobria um amigo sincero e verdadeiro e, ao mesmo tempo, um homem que mantinha uma enorme intimidade com Deus, porque vivia em constante oração.

    De S. João XXIII, recordamos a enorme bonomia e simplicidade. A sua humildade escondia uma personalidade muito rica em virtudes humanas e sobrenaturais, e pode fazer esquecer que este filho do povo, ao longo de toda a sua vida, prestou constantes e memoráveis serviços à Igreja, quer na vida diplomática que o levou a tarefas complexas, quer como membro da hierarquia eclesiástica.

    Bem-humorado (é conhecida a sua resposta risonha à pergunta de quanta gente trabalhava no Vaticano: “Mais ou menos metade”, observou), ninguém diria que um homem já idoso à data da sua eleição para Sumo Pontífice e de aparência tão singela, fosse o promotor do acontecimento mais importante para a história da Igreja do século passado, ou seja, o Concílio Vaticano II, com todas as suas consequências sobre a vida eclesial e do mundo inteiro. Não pôde presidir ao seu encerramento, porque o Senhor o chamou entretanto para junto de Si.

   Dois Papas, dois santos do nosso tempo, eis uma razão muito consistente para darmos graças a Deus pela sua atenção para com as necessidades dos homens, a quem ama como filhos, proporcionando-lhes pastores fidelíssimos para os orientar de acordo com a sua vontade.

Sem comentários:

Enviar um comentário