8 de março de 2014

Do Tesouro da Igreja

SOBRE A QUARESMA

Neste tempo favorável da Quaresma, ouvimos com maior insistência o apelo do Senhor para cooperarmos na nossa salvação, pela conversão pessoal.

A Quaresma vai radicar a sua origem numa preparação intensiva para os Sacramentos da Iniciação Cristã – Baptismo, Penitência e Eucaristia – quando o Catecumenato desaparece do programa pastoral da Igreja.

“Ponham-se em realce, tanto na Liturgia como na Catequese litúrgica, estes dois aspectos característicos do tempo quaresmal, que pretende, sobretudo através da recordação ou preparação do Baptismo e da penitência, preparar os fiéis, que devem ouvir com maior frequência a palavra de Deus e dar-se à oração com mais insistência, para a celebração do mistério pascal” (*)

A Quaresma é, pois, o tempo de preparação para a Páscoa do Senhor, para uma transformação em Cristo ressuscitado. Para nós, que já recebemos o Baptismo – nos primeiros séculos ele era administrado preferentemente na celebração da Vigília Pascal – esta preparação concretiza-se em recordar os compromissos baptismais e em actualizar ou recuperar as suas riquezas pelo sacramento da Penitência.

A conversão não há-de ser encarada apenas como um esforço pelo aperfeiçoamento pessoal, mas como uma luta para nos transformarmos cada vez mais em Cristo, de tal modo que possamos dizer com verdade: “Já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim”(Gál 2, 20). 

Além desta característica cristocêntrica, a Quaresma apresenta-nos  também uma dimensão social, (..) já que  (...) cada um de nós tem de dar uma resposta pessoal ao convite do Senhor á salvação eterna, sem esquecer que Ele nos chamou a fazer parte de um Povo  que é necessário edificar também como nosso testemunho de vida  e acção apostólica: “Aprouve a Deus salvar e santificar os homens, não individualmente, excluída qualquer ligação entre eles, mas constituindo-os em povo que O conhecesse na verdade e O servisse suavemente (*).
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(*) Concílio Vaticano II, SC n. 109; (2) SC n. 110;  (3) LG n. 9.

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