4 de fevereiro de 2014

Do tesouro da Igreja

APRESENTAÇÃO DO SENHOR. O exemplo de naturalidade de Nossa Senhora (1)
A Lei de Moisés, além da oferenda do primogénito, prescrevia a purificação da mãe. Esta lei não obrigava Maria, que é puríssima e concebeu o seu Filho milagrosamente. Mas Nossa Senhora nunca procurou ao longo da sua vida razões que a eximissem das normas comuns do seu tempo. “Pensas – pergunta S. Bernardo – que não podia queixar-se e dizer: Que necessidade tenho eu de purificação? Por que me impedem de entrar no templo se as minhas entranhas, não tendo conhecido varão, se converteram em templo do Espírito Santo? Por que não hei-de entrar no templo, se gerei o Senhor do templo? Não há nada de impuro, nada de ilícito, nada que deva submeter-se à purificação nesta concepção e neste parto; este Filho é fonte da pureza, pois veio purificar os pecados. De que irá purificar-me o rito, se o próprio parto imaculado me fez puríssima?” (2)
No entanto, como em tantas ocasiões, a Mãe de Deus comportou-se como qualquer outra mulher judia da sua época. Quis ser exemplo de obediência e de humildade: uma humildade que a leva a não querer sobressair pelas graças com que Deus a tinha adornado. Com os seus privilégios e a dignidade de Mãe de Deus, apresentou-se naquele dia, acompanhada de José, como mais uma entre as mulheres. Poderia ter feito uso das suas prerrogativas, considerar-se isenta da lei comum, mostrar-se como uma alma singular, privilegiada, eleita para uma missão extraordinária. Mas ensinou-nos a passar inadvertidos entre os nossos companheiros, embora o nosso coração arda em amor de Deus, sem procurar excepções, pelo facto de sermos cristãos: somos cidadãos comuns, com os mesmos deveres e direitos que os outros. “Maria Santíssima, Mãe de Deus, passa inadvertida, como mais uma, entre as mulheres do seu povo. – Aprende d’Ela a viver a naturalidade” (2).
Aprendamos a não buscar o espectáculo, o gesto clamoroso nas nossas atitudes religiosas, levados pela vaidade ou pelo pretexto de fazer o bem. A eficácia não está nos gestos insólitos e beatos, mas na exemplaridade diária no cumprimento do dever, de todos os deveres, que chama a atenção precisamente por não chamá-la.
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(1) In Francisco Fernandez Carvajal, Falar com Deus, Meditações para cada dia do ano, vol. VI.
(2) São Bernardo, Sermão sobre a purificação de Santa Maria, III, 2.
(3) S. Josemaria, Caminho, n. 499.

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