4 de fevereiro de 2014

Do Pároco

            QUE NINGUÉM SE SINTA SÓ!

Papa Francisco
       Sempre surpreendeu quem não tem a nossa fé, o modo como os cristãos sabem amar. E não só entre si; o seu coração é universal, abre-se a todas as pessoas, sem distinção de raça, de nacionalidade ou de posição social.
“Deus é Amor”, diz S. João numa das suas epístolas. A caridade divina dirige-se a todos os homens, e não apenas a uma dimensão privilegiada. 
O exercício desta virtude não pode nem deve ficar em esquemas abstractos. Tem uma dimensão prática por excelência. Amar não é uma bela teoria; pelo contrário, é ter em conta costante quem precisa do nosso auxílio, do nosso amor, da nossa atenção desinteressada.
O cristão deve fazer um exame de consciência profundo e sincero, perguntando-se a si mesmo o que faz e o que está a fazer a quem precisa da sua ajuda.
Concretamente: entre os seus vizinhos, entre as pessoas com quem lida diariamente, procura realmente ajudar com o seu amor e a sua disponibilidade o próximo?
Tem consciência de que, neste momento, pode haver gente a seu lado que necessita de alimentação adequada à sua saúde, inacessível às suas dificuldades económicas e à sua capacidade de mobilidade, por não ter possibilidade de concretizar? 
Não poderá dispor um pouco do seu tempo livre para visitar alguém que não tem família, não tem amigos e se encontra mais ou menos à deriva em relação a direitos que tem, mas desconhece, ou não pode exigi-los por velhice, ou por impossibilidade de discernir o que deve ou pode fazer? 
E se alguém, por motivos económicos, não consegue dispor da comida suficiente para si mesmo e os seus – infelizmente não se trata de uma situação de imaginação doentia, mas de realidade social concreta – é capaz de dispor generosamente do que é seu e partilhá-lo com quem precisa?
Se nada mais pode fazer do que visitar pessoas nestas circunstâncias, que não adie para as calendas do comodismo esta acção. Pode aconselhá-las a visitar uma instituição que as ajude, interessar-se pelas suas relações com a Segurança Social, pô-las em contacto com algum parente que desconheça a sua situação, enfim, acalentar com a sua companhia essas almas sofredoras, dando-lhe um alento de esperança e o calor de alguém que não permanece indiferente perante os seus problemas. E se conhece um médico amigo e generoso que se prontifique a ir a essa casa...
Quanto bem não nasce de uma simples visita. E como quem a recebe se sente acarinhado e tratado como um ser humano, por um seu semelhante que o preza e se dispõe a ajudá-lo.
Pensemos nos outros. Todos são filhos de Deus e todos merecem que ninguém passe a seu lado com a indiferença das duas primeiras personagens da parábola de Bom Samaritano. Procuremos imitar este homem bom, cuidando do nosso próximo com o desvelo e a atenção que ele lhe dedicou. 
Deus, Pai comum a quem presta auxílio e a quem é socorrido, alegrar-se-á ao ver que o ensinamento do seu Filho: “Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei” é bem concretizado. Maria Santíssima, nossa Mãe desde a Cruz, rejubilará com a actuação do seu filho e falará bem dele, como todas as mães que se sentem orgulhosas com o procedimento louvável de quem educaram. 
E nós teremos a alegria imensa de tratar quem se encontra ao nosso lado com verdadeira caridade.

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