3 de dezembro de 2013

Do Pároco

O mês de Dezembro aponta-nos para três datas inesquecíveis.

Presépio
A primeira é o dia 8 de Dezembro, em que nós celebramos a Imaculada Conceição da nossa Mãe, Santa Maria. Percebemos como Deus, que tanto nos ama, quis que a sua Mãe fosse absolutamente isenta de qualquer falta, porque sendo Ele o mais perfeito de todos os seres, não convinha ter como primeira morada humana o seio de uma pecadora, ou de alguém que tivesse sido tocada pelo pecado dos nossos primeiros pais. Num mundo tão violentado pela sensualidade e pelo orgulho humano, Nossa Senhora ensina-nos como viver a perfeita virtude, certamente lutando por cumprir sempre a vontade de Deus sem titubeios. Quando é interpelada pelo Arcanjo São Gabriel, que lhe anuncia o desejo de que ela fosse a Mãe do Messias prometido, mostra-nos que a isenção do pecado é perfeitamente compatível com a dificuldade de entender perfeitamente a vontade de Deus, a fim de actuar de um modo em que faça só o que Deus quer e como Deus quer. A sua pergunta: “Como será isso se eu não conheço varão” não revela, por parte de Maria, qualquer hesitação em obedecer ao repto que lhe é lançado, mas a sincera determinação de obedecer rigorosamente ao que o nosso Pai Deus lhe sugere que faça.

A segunda é o dia 25, o dia de Natal. Nela compreendemos como Deus ama o ser humano, o considera uma criatura digna de compartilhar com Ele a sua missão redentora, pois é fazendo-Se homem que o Senhor realiza a obra da nossa salvação. Não lhe era necessário proceder de tal forma, porque a sua omnipotência e a sua bondade poderiam perfeitamente determinar um número indefinido e diferente de formas de salvação do homem. Como grande pedagogo, quis encarnar, para que pudéssemos entender através de uma lição tão humana, a beleza e a eficácia do amor divino, pois o vemos palpitar no Coração de Cristo, que nos convida a aprender a sua lição: “Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração”. A sua vinda à terra é também uma manifestação eloquente da dignidade que o Criador nos deu. Se o pecado tivesse corrompido a nossa natureza de tal modo que ela não fosse capaz senão de pecar, Cristo faria de certeza a nossa Redenção por outra via, já que Deus é incompatível com qualquer imperfeição, mormente de carácter moral. 

Mas não: quis ser uma criança inerme, totalmente entregue ao cuidado dos seus pais para sobreviver, porque foi um bebé recém-nascido como todos nós e necessitou da mãe para entrar na vida, crescer e aprender, também com S. José, seu pai adoptivo, tudo aquilo que uma criança necessita de aprender – falar, rezar, relacionar-se com os outros, ser perito num ofício profissional, etc. Encarnando nestas circunstâncias, Deus revelou-nos que ama a capacidade do homem – que Ele lhe deu como seu Criador – de realizar uma tarefa ímpar: a de gerar uma pessoa humana santa, obedecendo aos passos e ao ritmo de crescimento que a natureza nos impõe.

Por fim, o dia 31, último do ano, que nos faz pensar retrospectivamente nos dias que vivemos em 2013, com todos os seus momentos de alegria e de tristeza, de sucesso e de fracasso. A quem é que devemos apresentar os resultados deste exame de consciência? A Deus Nosso Senhor, para Lhe pedir com humildade que saibamos ser agradecidos por tudo o que Ele nos ofereceu – o tempo de vida, os triunfos na luta diária por sermos honestos e honrados, os amigos que nos estimam e alegram a existência, a sua presença na Eucaristia para estar bem perto de nós e dos nossos apelos em momentos mais difíceis, etc. E, como é óbvio, o perdão que é necessário apresentar-Lhe por todas as deficiências da nossa conduta, feitas de preguiça, de orgulho, de esquecimento das necessidades alheias, da crítica fácil, de sensualidade, etc. 

Maria Santíssima, no Céu, como boa Mãe e com a sua autoridade sobre nós e sobre o próprio Cristo, será, como sempre, a melhor intermediária para que os propósitos – poucos, concretos e realizáveis, embora audaciosos – que nós apresentemos com vontade de melhorar no ano que vai iniciar-se, sejam bem recebidos e aceites.

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