6 de novembro de 2013

Do Pároco

     
Imagem: Todos os Santos
       Mês de Novembro, mês das almas. Por elas pedimos, de uma forma especial, durante este mês. No entanto, não nos esqueçamos que não é apenas das almas do Purgatório que nos devemos lembrar, para as encomendar à misericórdia de Deus, sufragando-as e pedindo ao Senhor que as leve para o Céu.

A Igreja que o Senhor fundou tem três dimensões, que vivem perfeitamente unidas em Cristo, sua Cabeça, e animadas pelo Espírito Santo. Assim, podemos falar da Igreja Militante, que são todos os discípulos de Jesus que vivem connosco a vida terrena e esperam que um dia, quando Ele quiser e melhor achar, as chame para a vida eterna; consideramos também a Igreja Triunfante, constituída por todas as almas que estão no Céu, gozando da bem-aventurança eterna, pela participação na felicidade perfeita do Deus Uno e Trino, Pai, Filho e Espírito Santo. E ainda a Igreja Purgante, formada por todas aquelas almas que esperam, com gozo, embora padecendo a sua purificação, o momento da sua chamada para o Céu.

À Igreja Triunfante, podemos pedir por nós, por todos os que connosco aqui vivem e labutam, pelas grandes intenções da Igreja, do mundo que nos rodeia, para que haja verdadeira paz e justiça, e, certamente, pelas almas do Purgatório. A sua intercessão é muito valiosa. Lembremos que junto delas e com elas está a nossa Mãe do Céu, Nossa Senhora, Medianeira de todas as graças, que acompanhará e reforçará, por assim dizer, todas as petições que essas almas santas fizerem por seu intermédio a Deus. 

Quantas delas, que agora gozam da companhia de Deus para sempre, não se recordarão das dificuldades, das lutas e das canseiras que enfrentaram na sua passagem pela terra e, se for o caso, da sua passagem pelo Purgatório. Quanto reconhecimento não terão para com todos aqueles que sufragaram as suas almas, que se sacrificaram aqui em baixo pelas suas pessoas, que lhes dedicaram verdadeiro e sincero amor, as ajudaram nas dificuldades, as consolaram nas suas tristezas e, enfim, compartilharam como amigos verdadeiros dos seus momentos de alegria. São almas reconhecidíssimas, que vivem intensamente a caridade e que, por isso mesmo, têm uma capacidade de intercessão muito forte. Falemos com elas, pedindo-lhes para nos ajudarem na conquista do que elas já alcançaram: o Céu.

S. Josemaría falava das “minhas boas amigas, as almas do Purgatório”. “Boas amigas”, isto é, pessoas que se purificam, sem revolta e sem ressentimento, porque viram na sentença de Cristo a prova, clara e objectiva, do que é capaz o amor e a misericórdia de Deus para salvar quem ama. Tudo o que pôde aproveitar como mérito do seu comportamento terreno, valorizou-o em extremo; e perdoou com o seu Coração “manso e humilde” o que não era recomendável. Mas de um modo tão decisivo e radical, que deixou absolutamente surpreendido quem foi julgado, levando-o a perceber com nitidez o sentido profundo da parábola do “Filho Pródigo”. Deus é o Pai que se alegra quando perdoa; não guarda qualquer ressentimento. Pelo contrário, regozija-Se e festeja com a maior satisfação o retorno de quem O tinha ofendido e desprezado, porque o ama e sempre o amou, aguardando o seu regresso com o desejo de reatar as boas relações que o pecador desprezou.

As almas do Purgatório são muitísssimo boas. Purificam-se e desejam atingir o momento de entrar no Reino dos Céus. Se nós, com os nossos sufrágios conseguimos apressar esse passo, elas podem pedir por nós, reconhecidas pela nossa amizade e pelas nossas orações e sacrifícios. Rezemos por elas e encomendemo-nos à sua intercessão, porque Deus as ouve com especial carinho.

Estando quase a terminar o Ano da Fé, que forma tão prática de viver com entusiasmo a Comunhão dos Santos, unindo-nos a Deus e a todas as almas que constituem a sua Igreja, na Terra, no Céu e no Purgatório. 

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