1 de outubro de 2013

Do Tesouro da Igreja

Na recitação do Santo Rosário – Papa Francisco, Basílica de Santa Maria Maior, 4/05/2013

   “(...) esta tarde encontramo-nos aqui diante de Maria. Rezámos sob a sua orientação maternal, para que nos aproxime do seu Filho Jesus; trouxemos-lhe as nossas alegrias e as nossas angústias, as nossas esperanças e dificuldades. Invocámo-la com a formosa invocação “Salus Populi Romani”,pedindo para todos nós, para Roma, para todo o mundo, que nos conceda a salvação. Sim, porque Maria dá-nos a salvação, é a nossa salvação.
    Jesus Cristo, com a sua Paixão, Morte e Ressurreição, trouxe-nos a salvação, deu-nos a graça e a satisfação de sermos filhos de Deus, de invocá-Lo verdadeiramente com o nome de Pai. Maria é Mãe, e uma mãe preocupa-se sobretudo com a salvação dos seus filhos, sempre a preserva com um amor grande e terno. Que quer dizer isto, que a Virgem Maria protege a nossa salvação. Penso sobretudo em três aspectos: ajuda-nos a crescer, ajuda-nos a enfrentar a vida, ajuda-nos a ser livres.
    1. Uma mãe ajuda os seus filhos a crescer e quer que cresçam bem. Por isso, educa-os no sentido de não se deixarem levar pela preguiça – às vezes fruto dum certo bem estar -, de não cederem perante uma vida cómoda, que se conforma apenas em ter coisas. A mãe preocupa-se de que os seus filhos continuem a crescer mais, cresçam fortes, capazes de assumir responsabilidades e compromissos na vida, de propor-se grandes ideais. O Evangelho de S. Lucas diz que, na família de Nazaré, Jesus “crescia e robustecia-Se, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com Ele” (Lc 2, 40). A Virgem Maria faz isto mesmo connosco, ajuda-nos a crescer humanamente e na fé, a ser fortes e não ceder à tentação de sermos superficiais, como homens e como cristãos, mas a viver com responsabilidade, a ir sempre mais além.
    2. Uma mãe, além disso, ocupa-se da salvação dos seus filhos, educando-os para que afrontem as dificuldades da vida. Não se educa, não se cuida da salvação, evitando os problemas, como se a vida fosse um caminho sem obstáculos. A mãe ajuda os seus filhos a ver com realismo os problemas da vida e a não desanimar, mas a enfrentá-los com valentia, a não ser fracos, a superá-los, conjugando adequadamente a segurança e o risco, que uma mãe sabe “intuir”. E isto uma mãe sabe fazê-lo. Não leva o filho só pelo caminho seguro, porque dessa maneira o filho não pode crescer, mas também não o abandona sempre no caminho perigoso, porque é arriscado. Uma mãe sabe pensar muito bem as coisas. Uma vida sem desafios não existe e um rapaz ou uma rapariga que não sabem enfrentá-los pondo em risco a sua própria vida, é um rapaz ou uma rapariga sem consistência. Recordemos a parábola do bom samaritano: Jesus não propõe como modelo de comportamento o do sacerdote  e do levita, que evitam socorrer quem tinha caído nas mãos dos ladrões, mas o do samaritano, que vê a situação daquele homem  e a enfrenta concretamente, assumindo os riscos. Maria passou por momentos não fáceis na sua vida, desde o nascimento de Jesus, quando “não havia lugar para eles na estalagem” (Lc 2, 7) até ao Calvário (cfr. Jo 19,25). Como uma boa mãe está ao nosso lado, para que nunca percamos a fortaleza perante as dificuldades da vida, a nossa debilidade e os nossos pecados: fortalece-nos, assinala-nos o caminho do seu Filho Jesus (...).
    3. Um último aspecto: uma boa mãe não só acompanha de perto o crescimento dos seus filhos, sem evitar os problemas, os reptos da vida; uma boa mãe ajuda também a tomar decisões definitivas com liberdade. Isto não é fácil, mas uma mãe sabe fazê-lo. Mas, que quer dizer liberdade? Não se trata certamente de fazer tudo o que se quer, deixar-se dominar pelas paixões, passar de uma coisa para outra sem discernimento, seguir a moda de momento; liberdade não significa prescindir sem mais do que a alguém não lhe agrada. Não! Isso não é liberdade!  A liberdade é um dom para que saibamos optar bem na vida! Maria, como boa mãe que é, ensina-nos a ser, como Ela, capazes de tomar decisões definitivas com aquela liberdade plena com que respondeu “sim” ao desígnio de Deus para a sua vida (cfr. Lc 1, 38).
Queridos irmãos e irmãs: que difícil é tomar decisões definitivas nos nossos dias! Seduz-nos o que é passageiro. Somos vítima de uma tendência quer nos conduz à provisionalidade... como se quiséssemos continuar a ser adolescentes.(...) Não tenhamos medo aos compromissos definitivos, aos compromissos que implicam e exigem toda a vida!  Assim a vida será fecunda! E isto é liberdade: ter a coragem de tomar estas decisões com magnanimidade.”

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