5 de setembro de 2013

Do tesouro da Igreja

O Santo Cura de Ars e Nossa Senhora (*)

Maria, Nossa Corredentora
     “Há entre vós quem tenha reflectido na caridade da Santíssima Virgem pelos homens? Ela pôs-nos diante do seu Filho: entre sacrificá-Lo para salvar as almas, ou deixar o género humano para O poupar, preferiu entregá-Lo para nos salvar. É a 2 de Fevereiro (festa da Purificação) que ela O oferece a Deus, começando para ela o sacrifício do Calvário…” “Deus deu-lhe a conhecer de antemão todas as dores, todos os ultrajes e todos os tormentos que o seu divino Filho havia de sofrer antes de morrer…”
     Vianney imaginava, do púlpito, os sofrimentos de Maria, colocando na sua boca: “Ah! Seus pés e suas mãos, que ao longo de trinta e três anos se ocuparem em distribuir graças e bênçãos, serão um dia perfurados e espetados num madeiro infame, seus olhos a irradiar amor serão cobertos de escarros nojentos, seu rosto ficará todo pisado das bofetadas, todo o seu corpo será flagelado, a sua cabeça radiante de glória será penetrada por cruel coroa de espinhos…”
    Vianney imaginava ainda Jesus a percorrer as ruas de Jerusalém, nos seguintes e dolorosos termos: “Chegará um dia em que verei estes caminhos regados pelo seu precioso sangue, estendê-Lo-ão na árvore da cruz, ouvirei pregá-Lo, mas sem o poder socorrer. Oh que dor inexprimível!”
   Estes estratos do sermão da Natividade de Maria assinalam bem o papel corredentor de Maria.

Nossa mediadora
    Vianney recorre a uma imagem para explicar o poder mediador de Maria: “O homem foi criado para o Céu, mas o demónio quebrou a escada que levava até lá; mas Jesus Cristo, pela sua Paixão, alcançou-nos outra. Maria está no topo desta escada, segurando-a com ambas as mãos, ao mesmo tempo que nos diz: “Vinde! Vinde! Oh, que belo apêlo!...
Trabalhemos sem descanso, olhemos para o Céu aberto, chamemos Maria em nossa ajuda…, ela convida-nos.
   Quando se quer entrar numa casa, chama-se o porteiro para que nos abra a porta. A Santíssima Virgem é a porteira do Céu, não podemos lá entrar sem a sua ajuda…”
“Sempre que alguém pretende oferecer um presente a uma pessoa importante, fá-lo apresentar por alguém da sua preferência, para que o presente lhe seja agradável. Assim, as nossas orações. Se apresentadas pelas mãos da Santíssima Virgem, passam a ter outro mérito, pois ela é a única criatura que nunca ofendeu a Deus. Tudo o que o Filho pede ao Pai é-Lhe concedido, tudo o que a Mãe pede ao Filho é-lhe igualmente concedido…
    O Pai compraz-se a olhar para Maria como obra saída das suas mãos: e toda a gente gosta daquilo que faz, sobretudo quando bem feito. O mesmo acontece com o Filho, relativamente a sua Mãe muito amada, e com o Espírito Santo, como seu templo”.

O Coração de Maria
    O Coração de Maria – dizia Vianney – é tão sensível que, com ele comparado, os corações de todas as mães da terra não passam de um pedaço de gelo… Ele é todo amor e misericórdia. Basta volta-se para ela, para se ser atendido. Ela só quer a nossa felicidade…”
Maria, nossa Mãe
   “Jesus Cristo, depois de nos dar tudo o que podia dar, isto é, o mérito de todas as suas andanças, dos seus sofrimentos e da sua morte dolorosa, ah! que poderei dizer ainda, do seu corpo adorável e do seu sangue precioso para servirem de alimento às nossas almas, quer ainda oferecer tudo o que Ele tem de mais precioso, a sua Santa Mãe…”
    Parece-lhe ouvir Jesus dizer a Maria: “Ah, minha Mãe, já que tenho de regressar a meu Pai e aqui deixar os meus filhos, prevejo que o demónio vai fazer tudo o que puder para que eles se percam, mas o que me consola é que vós (Maria) tomais conta deles, que os defendeis e que os consolais no meio dos seus sofrimentos…” E Maria responder: “Não, meu Filho, nunca deixarei de cuidar deles, até que tenham chegado ao Reino que lhes conquistastes com os teus sofrimentos.”
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(*) Palavras do Cura de Ars, Françoise Bouchard, Editorial Quadrante, S. Paulo, 2009, pp. 53-56.

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