9 de agosto de 2013

Do Pároco

      A 15 do mês corrente, celebraremos, com toda a alegria, a Assunção de Nossa Senhora ao Céu. Liturgicamente, é dia santo de guarda, isto é, dia em que a Santa Missa é uma obrigação gostosa de todos os fiéis. Como não nos sentirmos felizes por poder festejar da maneira mais adequada a subida ao Reino dos Céus da nossa Mãe e Mãe de Deus, Santa Maria, tal como viveu na terra, em corpo e alma.

   Desde a Cruz, quando Jesus lhe pede para assumir a maternidade de todos os seus discípulos na pessoa de S. João Evangelista. Este, com o maior júbilo e sentido de responsabilidade, levou Maria para sua casa e a acompanhou a paripassu até que Deus a fez subir para junto de Si para sempre.

     Compreendemos que o amor de Jesus, seu Filho dilecto, não poderia proceder de outra forma com a sua Mãe, que O gerou no seu seio, O viu nascer no presépio de Belém, observou o seu crescimento natural de homem verdadeiro, O educou esmeradamente e sofreu os horrores da Paixão e Morte (estando presente como Mãe consoladora na agonia do Calvário) e, depois, esperando com Fé firmíssima o momento da sua Ressurreição gloriosa. 

     Para premiar tanto amor e tanta fidelidade, Jesus, e, com Ele, o Pai e o Espírito Santo, quiseram que Maria fosse para o Céu, tal como apareceu na terra, tal como foi corredentora com Cristo, em corpo e alma.

     No entanto, não esqueçamos que no Céu tudo é mais sublime, porque a criatura que o Senhor chama para lá, participa e vive com a maior intensidade no Amor perfeito de Deus. Assim, as qualidades virtuosas que aqui na terra caracterizaram uma pessoa são aumentadas e totalmente purificadas. 

     Nesta ordem de ideias, a maternidade que Jesus pediu a sua Mãe em relação a nós, no Céu é vivida com o maior empenho e a máxima perfeição. Nossa Senhora, se já na terra mostrou que era verdadeiramente Mãe dos discípulos de Cristo, promovendo a sua unidade e reunindo-os à sua volta até à vinda prometida do Espírito Santo, no Céu, aumenta no seu Coração Imaculado de Mãe a capacidade de nos amar mais e melhor. 

     Quantos favores e benefícios não deveremos à constante vigilância de Maria Santíssima, que nos olha do Céu como Mãe zelosa! Mesmo quando o nosso comportamento não prima pela lealdade com os ditames de Cristo, o “trabalho” maternal de Maria far-se-á sentir, lembrando a Jesus que as nossas fraquezas foram remidas por Ele na Paixão. Além disso, se as nossas mãos estão totalmente vazias de méritos e até sujas com o pecado, pelo menos terá Jesus de considerar que ela nos ama com o mesmo tipo de amor maternal com que O aceitou gerar, criar e educar, a quando da anunciação feita pelo Arcanjo S. Gabriel. Por sua “culpa”, isto é, porque Jesus lho pediu expressamente no Calvário, ela é nossa Mãe e gosta de nós como todas as boas mães gostam dos filhos que Deus lhes dá.

     Este argumento deverá pesar muito na forma de Jesus nos julgar. Não é que a sua infinita misericórdia necessitasse de um pedido ou de um conselho para nos perdoar; mas Jesus continua a ser homem perfeito e, por isso, Filho de Maria. E não há um bom Filho que não seja permeável aos pedidos de uma boa Mãe.

     Lembremos, a propósito, que Maria exerce uma autoridade materna sobre Jesus dum modo discreto, mas eficaz. Nas Bodas de Caná, ela é a razão principal para que Cristo, apesar de mostrar inicialmente uma certa relutância, realize o seu primeiro milagre. Maria apenas Lhe disse: “Não têm vinho.” Foi o suficiente para que toda a argumentação do seu Filho não vingasse. A vontade de Maria prevaleceu e Jesus transformou a água num vinho esplêndido!

     Vivamos com intensidade a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, pondo nas suas mãos de Mãe os nossos cuidados e as nossas petições. Jesus não ficará indiferente…

                     Imagem: Coroação de Nossa Senhora. Quadro de Ruben

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