1 de junho de 2013

Do Tesouro da Igreja

A PROPÓSITO DA SOLENIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS (*)
Considera, ó homem redimido, quem é Aquele que por ti está pregado na cruz, qual a sua dignidade e grandeza. A sua morte dá vida aos mortos; na sua morte, choram os céus e a terra, fendem-se até os rochedos mais duros. 
Para que do lado de Cristo na cruz se formasse a Igreja e se cumprisse a sua palavra da Escritura que diz: Hão-de olhar para Aquele que trespassaram, a divina providência permitiu que um dos soldados Lhe abrisse com a lança o lado sacrossanto e dele fizesse brotar sangue e água. Este é o preço da nossa salvação, saído daquela divina fonte, isto é, do íntimo do seu Coração, para dar aos sacramentos da Igreja o poder de conferir a vida da graça e se tornar para aqueles que vivem em Cristo uma fonte de água viva que jorra para a vida eterna.
Levanta-te, tu, que amas a Cristo, sê como a pomba que faz o seu ninho na alta caverna do rochedo, e aí, como o pássaro que encontrou a sua morada, não cesses de estar vigilante; aí esconde como a rola os filhos nascidos do casto amor; aí, aproxima os teus lábios para beber a água viva das fontes do Salvador. Porque esta é a fonte que brota do meio do paraíso e, dividida em quatro rios, se derrama nos corações dos fiéis para irrigar e fecundar toda a terra.
Acorre a esta fonte de vida e de luz com toda a confiança, quem quer que sejas tu, ó alma consagrada a Deus, e exclama com todas as forças do teu coração: “Ó inefável beleza do Deus Altíssimo, esplendor puríssimo da luz eterna, vida que vivifica toda a vida, luz que ilumina toda a luz e conserva em fulgor perpétuo a multidão dos astros, que desde a primeira aurora resplandecem diante do trono da vossa divindade!
Ó eterno e inacessível, límpido e doce manancial daquela fonte que está escondida aos olhos de todos os mortais! Sois profundidade sem fundo, altura sem limites, vastidão sem medida, pureza sem mancha.
De ti procede o rio que alegra a cidade de Deus, para que, entre vozes de louvor e de alegria da multidão em festa, possamos cantar hinos de louvor ao vosso nome, sabendo por experiência que em Vós está a fonte da vida e na vossa luz veremos a luz.
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(*) S. Boaventura, Bispo; Opusculum 3, Lignum vitae, 29-20. 47 (Séc. XIII)

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