30 de junho de 2013

Do Pároco

Imagem: Nossa Senhora do Carmo
 (Celebração a 16 de Julho)
     Quem circular pelas ruas da nossa cidade, deve notar um trânsito mais aprazível. Parece também que as crianças e os jovens se sumiram, ou que são muito menos. Este juízo só acidentalmente toca num problema do país muito sério, que ninguém gosta de o abordar com franqueza, que é o da baixíssima natalidade que por cá se pratica, envelhecendo a população e retirando ao futuro aquilo que se descobre quando se olha para uma juventude vigorosa e promissora.

    A questão, desta vez é diferente. Estamos em pleno período de férias lectivas e o fecho das escolas retira a Lisboa o aroma dos nossos escassos jovens, que vão alegrando as ruas e os locais onde frequentam as aulas. As suas famílias, incluindo, porventura, os próprios pais, abalaram para as praias ou para os seus lugares de origem, visitando os parentes e passando uns dias de descanso e de revigoramento de forças.

   O descanso é um direito e uma necessidade. Por isso, é também um dever. Quem o desejou para o homem foi o próprio Deus, dando-nos o exemplo, já que no sétimo dia da criação, segundo as palavras da Escritura Sagrada, “descansou de toda a obra que tinha feito. E abençoou o dia sétimo e o santificou, porque nele tinha cessado toda a sua obra...” (Gén. 2, 2-3).

    Certamente que o “descanso” de Deus não significa que Ele, omnipresente e omnipotente, não acompanhe cada um de nós nesses dias de maior descontracção que tanto desejamos. Deus está onde nós estivermos, salvo se, voluntariamente, O expulsarmos com o pecado. Sempre nos concede a sua graça, que é uma ajuda à nossa boa conduta, incitando-nos a agir bem, alertando-nos nas ocasiões em que uma tentação nos pode desviar do caminho recto, ou ajudando a nossa vontade, débil e pouco corajosa, a encarar uma situação em que se nos exige mais esforço e forte perseverança para alcançarmos algum objectivo difícil.

    A questão deve pôr-se de forma diferente. Deus está nas nossas férias, se nós O deixarmos que as acompanhe. Noutros termos: se nós, por decisão consciente, não Lhe negarmos a sua presença, arredando-O desses tempos como um companheiro incómodo. A atitude que devemos tomar é a de querer que Deus esteja nelas presente, em primeiro lugar, com o seu Amor, para que nos cuide e nos proteja; e depois, com a sua autoridade, a fim de que tudo o que fizermos e quisermos seja orientado pela sua vontade.

    Seria um comportamento indigno de um cristão, deixar de cumprir o preceito dominical, esquecer as orações que, diariamente, costuma rezar, não ler por se tornar fastidioso ao seu “descanso”, alguns textos da Bíblia, nomeadamente do Novo Testamento, frequentar lugares imorais ou onde, se é o caso, o bom comportamento dos filhos pudesse estar em perigo, etc.

    Até certa altura do crescimento dos filhos, as férias são uma fonte inexcedível para o calor do lar e a educação dos pais se fazer sentir com mais intensidade sobre a sua prole. Há momentos únicos em que o tempo de dedicação à família que um pai ou uma mãe, ou os dois em conjunto, descobrem para privar com os filhos, só no espaço das férias os encontram nos dias de hoje com mais plenitude, porque os dois trabalham com intensidade na sua profissão e lhes faltam momentos e motivos que facilitem uma maior intimidade.

   Não desaproveitemos as férias. Peçamos a Nossa Senhora – neste mês de Julho, se quisermos, sob a invocação de Nossa Senhora do Carmo – para que elas sejam um período de aproximação de Deus de todos os membros da família. Saiam delas os pais mais amigos e próximos dos seus filhos e estes mais ligados ao amor paternal e maternal que os seus progenitores podem e devem proporcionar-lhes.

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