6 de maio de 2013

Do tesouro da Igreja

 A SANTÍSSIMA TRINDADE(*)
    
     “A Ti o louvor, a Ti a glória, a Ti a acção de graças pelos séculos dos séculos, Trindade Beatíssima...” (1). Depois de ter renovado os mistérios da salvação  desde o nascimento de Cristo em Belém até à vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes -, a liturgia propõe-nos o mistério central da nossa fé: a Santíssima Trindade, fonte de todos os dons e graças, mistério inefável da vida íntima de Deus.
Pouco a pouco, com uma pedagogia divina, Deus foi manifestando a sua realidade íntima, foi-nos revelando como Ele é em Si, independente de todas as coisas criadas. No Antigo Testamento, dá a conhecer sobretudo a unidade do seu Ser, bem como a sua completa distinção do mundo e o seu modo de relacionar-se com ele, como Criador e Senhor. Ensina-nos de muitas maneiras que é incriado, que não está limitado a um espaço (é imenso), nem ao tempo (é eterno). O seu poder não tem limites (é omnipotente):  Reconhece, pois, e medita no teu coração – convida-nos a liturgia – que o Senhor é o único Deus desde o alto dos céus até ao mais profundo da terra, e que não há outro (2). Somente Tu, Senhor.
O Antigo Testamento proclama sobretudo a grandeza de Iavé, único Deus, Criador e Senhor de todo o Universo. Mas também O revela como pastor que busca o seu rebanho, que cuida dos seus com mimo e ternura, que perdoa e esquece as frequentes infidelidades do Povo eleito... Ao mesmo tempo, vai manifestando a paternidade de Deus Pai, a Encarnação de Deus Filho, que é anunciada pelos profetas, e a acção do Espírito Santo, que vivifica todas as coisas.
Mas é Cristo Quem nos revela a intimidade do mistério trinitário e o convite para que participemos dele. Ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar (3). Ele revelou-nos também a existência do Espírito Santo junto com o Pai e enviou-O à Igreja para que a santificasse até o fim dos tempos: e revelou-nos a perfeita Unidade de vida entre as Pessoas divinas (4).
O mistério da Santíssima Trindade é o ponto de partida de toda a verdade revelada e a fonte de que procede a vida sobrenatural e para a qual nos encaminhamos: somos filhos do Pai, irmãos e co-herdeiros do Filho, santificados pelo Espírito Santo para nos assemelharmos cada vez mais a Cristo. Assim crescemos na nossa filiação divina. Assim nos convertemos em templos vivos da Santíssima Trindade.
Por ser o mistério central da vida da Igreja, a Santíssima Trindade é continuamente invocada em toda a liturgia. Fomos baptizados em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, e em seu nome perdoam-se os pecados; ao começarmos e terminarmos muitas orações, dirigimo-nos ao Pai, por mediação de Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Muitas vezes ao longo do dia, nós, os cristãos, repetimos: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
“ – Deus é meu Pai! Se meditares nisto, não sairás dessa consoladora consideração.
“– Jesus é meu Amigo íntimo! (outra descoberta), que me ama com toda a divina loucura do seu Coração.
“ – O Espírito Santo é meu Consolador!, que me guia nos passos de todo o meu caminho.
“ – Pensa bem nisso. – Tu és de Deus..., e Deus é teu”. (5)

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(*) Francisco Fernandez Carvajal, Falar com Deus, vol. 6, pp. 193—194, Ed. Quadrante, S. Paulo, 1996.



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