6 de maio de 2013

Do Pároco

Imagem: Maria, Mãe de Deus e Mãe Nossa
   Entre as recordações de infância de um membro de uma família cristã, a forma como ela vivia o mês de Maio – o “Mês de Maria” – permanece como uma apologia indelével da devoção a Nossa Senhora.

   O terço familiar era mais cuidado e mais devoto. Talvez fosse o pai a dirigi-lo, ou, à medida que os filhos iam crescendo, esta função distribuía-se naturalmente por eles. E assim, sem esforço, como um acontecimento diário da casa, se ia aprendendo a louvar a Maria, sabendo que ela, com todo o carinho de mãe, ouvia nos céus as nossas orações. E com mais convicção ainda se ficava, quando era a vez do próprio dirigir um mistério. A ladainha competia ao pai, porque se dizia em Latim, e só ele era capaz de ler e proferi-la com continuidade, bom ritmo e pronúncia adequada.

   Curiosamente, em determinada família, aos filhos com menos de sete anos – a idade da razão – só era permitido acompanhar os seus irmãos e pais na reza de um mistério para não se cansarem e por serem ainda muito pequenos. Eles protestavam, mas regras são regras e não havia excepções. Quando chegavam a esse limite etário... Bem, a mãe andava atrás dos mais renitentes, que já não mostravam tão boa vontade em rezar um terço completo. E acabava sempre por consegui-lo, embora com algum ou alguns minutos de atraso, em relação à hora estipulada para o seu começo.

   No entanto, Nossa Senhora, a esses mais resmungões, devia tocar-lhes o coração de um modo especial em Maio, porque não opunham tanta resistência e, ainda que não tivessem relógio próprio, a verdade é que o ”Mês de Maria” sempre se iniciava mais ou menos na hora prevista.

   Era uma “festa” que se vivia com cuidado e com a nítida sensação de que Maria Santíssima, por ser o seu mês, atendia as súplicas sem qualquer renitência. Tanto mais que, de um modo muito diplomático, o pai e a mãe davam o bom exemplo de se confessarem, pois, como então diziam, com a alma asseada, a nossa Mãe nada recusa. E acrescentavam: além disso, como falamos mais com ela, fica ainda mais contente connosco e faz elogios nossos a Jesus. Um filhito mais repontão, perguntou: “Isso é assim?” “Com certeza”, observou o pai. 

   O miúdo nada respondeu, embora não tivesse ficado muito convencido. Até que um dia, depois de uma daquelas cenas em que a mãe teve de “pôr os pontos nos ii” com fortaleza, por causa do seu comportamento mais impróprio e rezingão, ouviu à socapa uma conversa entre ela e uma visita, que entretanto a tinha ido cumprimentar, onde fazia um rasgado panegírico ao modo de ser desse seu filho travesso. Ficou boquiaberto e tão comovido, que foi chorar para o quarto, pensando com os seus botões que se a sua mãe era assim de boa, quanto mais Nossa Senhora, a Mãe de Jesus.

   Nas orações deste mês de Maio, não poderemos esquecer que Maria é Mãe da Igreja e que terá muito em conta todas as orações que lhe dirigirmos para que o Papa Francisco, há pouco eleito, possa dirigir a Igreja para o redil de Cristo, escolhendo as pessoas que, juntamente com ele, a governem da maneira mais adequada e que os seus escritos, com a simplicidade e a simpatia que caracterizam a sua pessoa, sejam bem acolhidos por toda a cristandade, ainda que, por vezes, toquem temas que possam ferir os interesses e até as ideias pessoais sobre matérias. 

   O Papa Francisco exerce as suas funções de Romano Pontífice com a mesma autoridade que Jesus conferiu a Pedro: “E Eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. As portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus; e tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus, e tudo o que desatares sobre a terra, será desatado também nos Céus” (Mt 16, 18-19). E pouco antes de subir aos Céus insistiu com força: (...) “Apascenta os meus cordeiros” (...) “apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21 15.17) isto é, todo o seu rebanho, todo o homem de boa vontade que queira escutar a sua Palavra, aceitar os seus ensinamentos e seguir a sua Pessoa.

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