6 de maio de 2013

Coisas práticas: A Ladainha do Terço

   O nome de “ladainha” (do grego lité, súplica) corresponde a um género de orações que se compõem de um louvor ou de uma intenção a que todos respondem com uma fórmula breve.
   A ladainha dos Santos (ano 595) é a forma actualmente mais conhecida: depois do Kyrie segue-se uma lista de santos com a súplica rogai por nós, invocações com as necessidades gerais da Igreja e conclui com o “Cordeiro de Deus”. São usadas nas ordenações, na dedicação de uma igreja, etc.
   A composição das Ladainhas de Maria seguiu essa linha e as reflexões dos Padres orientais foram as sementes das diversas que se usaram nos mosteiros.
   Muito popular é do Santuário de Loreto, onde se venera a Santa Casa de Nazaré. O texto mais antigo é um códice do século XIII. Surgiram muitas, incluindo uma belíssima de louvores bíblicos que o papa Sisto V, em 1587, aprovou para toda a Igreja. Ao sucederem-se as invocações “uma à outra de maneira uniforme, criam um fluxo de oração caracterizada por um insistente louvor-súplica (cf. Directório sobre a piedade popular e Liturgia. Princípios e orientações, n. 203, SCDS, Vaticano).
   Sobre ela escreve S. Josemaria:
   “Irrompe, agora, a ladainha loretana, sempre com esplendor de luz nova e cor e sentido diferentes. 
   Clamores ao Senhor, a Cristo; súplicas a cada uma das Pessoas divinas e à Santíssima Trindade; galanteios inflamados a Santa Maria: Mãe de Cristo, Mãe Imaculada, Mãe do Bom Conselho, Mãe do Criador, Mãe do Salvador…, Virgem prudentíssima…, Sede da Sabedoria, Rosa mística, Torre de David, Arca da Aliança, Estrela da Manhã…, Refúgio dos pecadores,      Consoladora dos aflitos, Auxílio dos cristãos… 
   E o reconhecimento do seu reinado: Regina! – Rainha! – e o da Sua mediação: Sub tuum praesidium confugimus – à vossa protecção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus…; livrai-nos de todos os perigos, Virgem gloriosa e bendita. 
   Rogai por nós, Rainha do Santíssimo Rosário, para que sejamos dignos de alcançar as promessas de Nosso Senhor Jesus Cristo.” (Santo Rosário, Ed. Diel)
Alguns títulos foram adicionados por ocasião da sua oportunidade histórica: Auxílio dos cristãos (Pio V: pela sua intercessão na Batalha de Lepanto); Mãe Imaculada (Pio IX). Rainha do Santíssimo Rosário e Mãe do bom conselho (Leão XIII); Rainha da Paz (Bento XV: 1917, em ambiente de guerra, a 8 dias da primeira aparição em Fátima); Rainha concebida sem mancha de pecado original (Leão XII); Rainha elevada ao Céu em corpo e alma (Pio XII); Mãe da Igreja e Rainha da Família (João Paulo II).
   “Após a prescrição do Papa Leão XIII, para durante o mês de Outubro se concluir a recitação do Terço com o canto da Ladainha de Loreto, firmou-se em muitos fiéis a convição errada de ser como que um mero apêndice do Rosário. De facto, a ladainha é um ato de culto por si mesma: pode ser a peça fundamental de uma homenagem a Nossa Senhora, pode ser um canto processional, fazer parte de uma celebração da Palavra de Deus ou de outras estruturas de culto” (Directório, Ibidem).

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