4 de março de 2013

Do Pároco

Fumata Bianca: Assim a esperamos
com a oração de todos.
No passado dia 11 de Fevereiro, o mundo cristão e todo o mundo foi surpreendido com a notícia da renúncia do Papa Bento XVI à Cátedra de Bispo de Roma, que herdou, juntamente com todos os seus antecessores, de S. Pedro, a quem o Senhor confiou a chefia da Igreja por Ele fundada.

Assinale-se, em primeiro lugar, que esta atitude de Bento XVI não significou, da sua parte, uma medida discricionária de poder, que ele tomou como prerrogativa da sua condição de Romano Pontífice. Não se tratou, assim, de um gesto inapropriado, sem qualquer referência ao que o Direito da Igreja permite e determina. Se lermos o § 2 do nº 332 do Código de Direito Canónico, encontramos a seguinte determinação: Se acontecer que o Romano Pontífice renuncie ao cargo, para a validade requer-se que a renúncia seja feita livremente, e devidamente manifestada, mas não que seja aceite por alguém. 

Compreendemos que a renúncia não seja aceite por alguém, em virtude de o poder petrino ou papal ter sido dado por Cristo directamente a S. Pedro, confiando-lhe a autoridade suprema da Igreja. Trata-se de uma decisão pessoal, não revogável, que exige depois que a mesma Igreja, com os mecanismos próprios, sempre que a sede romana fica vacante, isto é, sem bispo, por morte deste ou por sua renúncia, voltar a escolher quem sucede a Pedro (ou mais proximamente a Bento XVI, que terminou o seu pontificado por vontade própria em 28 de Fevereiro último). Se a notícia nos colheu de surpresa não foi por ser um dado novo, inédito ou inimaginável na vida da Igreja, mas por ser um gesto muito raro na história do papado. 

O Pontificado de Bento XVI, iniciado em 2005 após a morte do Beato João Paulo II, só pode suscitar em nós um agradecimento profundo pela sua actuação corajosa e esclarecedora, em tantos aspectos da Igreja, que ele serviu denodamente com a sua inteligência fulgurante e com uma actividade intensíssima, que o levou a muitos sítios para se encontrar com os cristãos e os homens de boa vontade, levando-lhes a doutrina de Cristo que sempre expôs com profundidade lúcida e com uma clareza e simplicidade extraordinárias.

Certamente que temos pena que renuncie ao seu cargo. No entanto, percebemos esta decisão num homem de 78 anos – idade em que a maior parte das pessoas vive em sossego a sua reforma, escrevendo ou relembrado placidamente as suas memórias –, foi chamado por Deus para o cargo e o lugar mais trabalhoso que a humanidade conhece, pois é aquele que exige mais responsabilidade, que pede mais entrega e exige uma acção constante e desgastante, apesar de ter a graça de Deus a actuar e a ajudar quem o exerce.

Daí o nosso agradecimento profundo a Bento XVI, quer pela sua actuação à frente da Igreja de Roma, quer também pelo sentido da sua renúncia, que apenas tomou por considerar que, em consciência, a Igreja já não poderia contar com as suas forças para ser bem governada. Por isso, renunciou ao seu cargo e abriu as portas à escolha de um novo Romano Pontífice, que será eleito com a convocação de um Conclave, como está previsto.

A Bento XVI resta-nos dizer muito obrigado pelo seu pontificado e dar os parabéns pela sua renúncia corajosa. E, com ele, rezar para que o Espírito Santo, uma vez mais, iluminando os cardeais eleitores, coloque à frente da Barca de Pedro a pessoa mais capaz, nestes tempos complexos e difíceis, de a continuar a conduzir segundo a vontade de Cristo. Do Céu, Nossa Senhora, na sua qualidade de Mãe da Igreja, acompanhará com cuidado especial e dedicado o desenrolar dos acontecimentos.

Sem comentários:

Enviar um comentário