2 de janeiro de 2013

Do Tesouro da Igreja

      Santa Maria, Mãe de Deus (*)

      O Verbo de Deus veio para socorrer a descendência do Abraão, como afirma o Apóstolo e, por isso, devia tornar-se em tudo semelhante aos seus irmãos e assumir um corpo semelhante ao nosso. É para isso que Maria está verdadeiramente presente neste mistério; foi d’Ela que o Verbo assumiu como próprio aquele corpo que havia de oferecer por nós. A Sagrada Escritura recorda este nascimento e diz: Envolveu-O em panos; além disso, proclama ditosos os peitos que amamentaram o Senhor e fala também do sacrifício oferecido deste Primogénito. O anjo Gabriel tinha anunciado esta concepção com toda a precisão e prudência; não lhe disse: “O que há-de nascer em ti”, como se tratasse de algo extrínseco, mas “de ti”, para indicar que o fruto deste nascimento procedia realmente de Maria.

O Verbo, ao tomar a nossa condição humana e ao oferecê-la em sacrifício, assumiu na sua totalidade, para nos revestir depois a nós da sua condição divina, segundo as palavras do Apóstolo: É preciso que este corpo corruptível se revista de incorruptibilidade e que este corpo mortal se revista de imortalidade.

Estas coisas não se realizaram de maneira fictícia, como disseram alguns. Longe de nós tal pensamento! O nosso Salvador foi verdadeiramente homem e assim alcançou a salvação do homem na sua totalidade. Não se trata de uma salvação fictícia, nem se limita a salvar o corpo: o Verbo de Deus realizou a salvação do homem todo, isto é, do corpo e da alma.

Portanto, era verdadeiramente humana a natureza do que nasceu de Maria, segundo as divinas escrituras; era verdadeiramente humano o corpo do Senhor. Verdadeiramente humano, quero dizer, um corpo igual ao nosso. Maria é, de facto, nossa irmã, porque todos descendemos de Adão.

O que João afirma ao dizer: O Verbo se fez homem, tem um significado semelhante ao que se encontra numa expressão paralela de S. Paulo quando diz: Cristo fez-se maldição por nós. Pela união e comunhão com o Verbo, o corpo humano recebeu um enriquecimento admirável. Era mortal e passou a ser imortal, era animal e converteu-se espiritual, era terreno e transpôs as portas do Céu.

Por outro lado, a Trindade, mesmo depois da Encarnação do Verbo em Maria, continua a ser a mesma Trindade, sem aumento nem diminuição, permanecendo sempre na sua perfeição absoluta. E assim se proclama na Igreja: a Trindade numa única divindade; um só Deus, no Pai e no Verbo”
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(*) Das cartas de St. Atanásio, Bispo. (Epist. Ad Epictetum, 5-9, PG 26, 1058. 1062-16066.

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