2 de janeiro de 2013

Coisas Práticas: Profissão de Fé ou Credo

“Todos se inclinam às palavras «E encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem» e, nas festas da Anunciação e do Natal do Senhor, ajoelham.”

    O Credo que usamos está escolhido entre muitos aparecidos ao longo dos séculos .No início eram resumos destinados sobretudo aos candidatos ao Baptismo (CIC 186). Estruturados em torno às verdades sobre cada uma das três Pessoas trinitárias e sobre a Igreja, são designados por três nomes.
    Símbolo – um “sinal pelo qual se reconhece alguém” (CIC 188);
    Credo – que é “creio”, em latim, e significa: «dou a minha adesão àquilo em que nós cremos” ” (CIC 185), “Creio em Deus”, na fé comum, na fé da Igreja;
    Profissão de Fé – por servir para expressar ou confessar as verdades cristãs.
    “Há dois que têm um lugar muito especial na vida da Igreja” (CIC 193) e actualmente se usam na liturgia eucarística.
    O Símbolo dos Apóstolos, é chamado assim por se considerar, com justa razão, o resumo fiel da fé dos Apóstolos. É o antigo símbolo baptismal da Igreja de Roma (já usada no séc. III). Afirma Santo Ambrósio: “É o símbolo adoptado pela Igreja romana, aquela em que Pedro, o primeiro dos Apóstolos, teve a sua cátedra, e para a qual ele trouxe a expressão da fé comum (CIC 194).
    O outro que usamos na Missa é o Símbolo niceno-constantinopolitano que deve a sua grande autoridade ao facto de ser proveniente desses dois primeiros concílios ecuménicos, Niceia (a. 325) e Constantinopla (a. 381). “Ainda hoje continua a ser comum a todas as grandes Igrejas do Oriente e do Ocidente” (CIC 195). 
    Nascido no Oriente, passou à liturgia eucarística no séc. V, quando Timóteo, bispo de Constantinopla, o mandou recitar em todas as Missas. As partes relativas ao Filho e ao Espírito Santo estão particularmente desenvolvidas devido às controvérsias da altura; e sobre Cristo insiste-se sobretudo na divindade do Filho e no mistério da encarnação. É precisamente no momento em que este mistério do início da nossa salvação é referido que as rubricas do Missal actual indicam: Todos se inclinam às palavras «E encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem» e, nas festas da Anunciação e do Natal do Senhor, ajoelham”. A inclinação, profunda e agradecida, de cada um dos presentes, manifesta a profissão pessoal da fé comum.
    No séc. VI o seu uso na Missa estava generalizado por todo o Oriente, e passou a ser obrigatório desde Justiniano (a. 568). Na liturgia hispânica – primeira do ocidente que o admitiu – surge por mandato do rei Recaredo, recitado com a fracção do pão (antes e depois). Nas Gálias entrou a finais do séc. VIII, por intervenção de Carlos Magno e São Paulino de Aquileia (780 - 802), como defesa perante as ideias adopcionistas, e situa-se já no final da liturgia da Palavra. Da liturgia romano-franca passou para a ambrosiana, situada no ofertório. Roma, porém, só o incluirá na Missa no ano 1014, apesar do seu uso já  se ter generalizado a todo o Império.
    Colocado depois da Liturgia da Palavra, o símbolo tem tripla finalidade: a) manifestar o assentimento do Povo à Palavra de Deus escutada nas leituras; b) provocar a resposta pessoal à mensagem proclamada; c) e recordar a regra da fé, para melhor se introduzir no mistério eucarístico (cf. OGMR 43).

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