3 de dezembro de 2012

Do Tesouro da Igreja

O QUE SE CELEBRA NO TEMPO DO NATAL (*)

    O Tempo do Natal celebra e comemora acontecimentos que revelam dois aspectos do mesmo mistério: a encarnação do Senhor e a sua manifestação aos homens. Deus vem no silêncio da noite dos tempos à procura do homem no caminho do pecado. E o bom Pastor deixa as noventa e nove ovelhas fiéis no aprisco e vai à procura da que se tresmalhou (cfr Lc 15, 4).
    O Natal fala-nos da humanização de Deus –“o Verbo fez-Se Homem” (Jo 1, 14); na divinização do homem – “e habitou entre nós” (Jo 1, 14); e da renovação da ordem criada – “Eu renovo todas as coisas” (Apoc 21, 5).
    Não devemos, portanto, ficar apenas numa evocação sentimental duma série de acontecimentos históricos, com o olhar obstinadamente preso no passado, como se estivesse em causa exclusivamente avivar uma piedosa e exemplar recordação do nascimento da infância do Senhor. É necessário celebrar um mistério presente e penetrar no mistério total de Cristo Salvador.
    Jesus continua a nascer nos corações dos homens, quer no daqueles que recebem o Baptismo, ou, já baptizados, passam do pecado à vida da graça, quer ainda no daqueles que se decidem a dar um passo em frente no caminho da santidade.
    O Natal é um apelo veemente do Senhor à nossa entrega: perante um Menino que estende os Seus braços divinos para nós, só é possível a resposta de uma entrega incondicional.
    Muitos dos contemporâneos do nascimento histórico de Jesus em Belém estariam, possivelmente, à espera duma victória espectacular do Messias. Mas o plano de Deus é pedir a entrega de cada coração para depois, por meio deles, actuar no mundo. O mal que encontramos na terra não se deve à falta de generosidade de Deus, mas à mesquinhez do homem que imita, tantas vezes na vida, o gesto desgraçado dos habitantes de Belém: não havia lugar para Jesus, Maria e José na hospedaria” (cfr Lc 2, 7).
    “Não tenhais medo!”, repetirá Jesus na sua vida pública.”Não tenhais medo!”, repete   nos o Beato João Paulo II. Abramos, pois, de par em par, o nosso coração ao Redentor que nos vem salvar.
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(*) In Missal Quotidiano, p. 108; Edições Theologica, Braga, 1989.

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