5 de novembro de 2012

Do Pároco

    O texto que este mês escolhemos na Secção O TESOURO DA IGREJA, recorda-nos que no dia 2 de Novembro – Dia dos Fiéis Defuntos – intercedemos de uma forma especial por todas as almas das pessoas que já faleceram e se encontram no Purgatório, isto é, naquele estado em que os que morrem na graça e amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de atingirem a santidade necessária para entrar na alegria do Céu. A Igreja chama Purgatório a esta purificação dos eleitos (1). 

    No Ano da Fé, iniciado no mês passado, convém recordar estas verdades fundamentais, porque nos falam da misericórdia de Deus e nos alentam a ser mais fiéis ao que Ele nos pede.

    Quando alguém morre, encontra-se imediatamente com Cristo, que lhe indica o seu lugar na eternidade. Uma perspectiva, esta transitória, será a de se ter de purificar das faltas que não conseguiu remir aqui na terra, passando pelo Purgatório.

    Neste juízo, a alma compreenderá, em primeiro lugar, o Amor que Deus nos tem, porque se apercebe da dimensão do seu perdão. Ficará surpreendida como no Coração de Cristo não existe o mínimo resquício de fel ou de ressentimento. Pelo contrário, compreenderá que ao indicar a S. Pedro que deveria perdoar até 70x7 a quem o ofendesse, manifestava a magnanimidade incomensurável da sua capacidade de perdoar, desde que haja arrependimento por parte de quem O ofendeu. 

    Surpreender-se-á também com a forma como Cristo aproveita os seus méritos, mesmo os mais comezinhos, para que o fiel da balança penda para o lado da salvação. A sua misericórdia comovê-la-á e ficará com pena de não ter sido, na vida terrena, mais generosa na sua relação com Deus, a Quem deve amar sobre todas as coisas, com o próximo, a quem poderia ter feito tanto bem se não a contraísse o egoísmo, a preguiça, o desleixo, alguma má vontade com alguém que a não tratou da melhor forma, etc. Compreenderá, por fim, que a sua situação não poderá ser a entrada imediata no Reino dos Céus, pois sentirá uma necessidade indiscutível de adquirir um grau mais elevado de santidade e de apagar, por meio duma purgação, aquilo que na terra não quis fazer.

    Por isso, as almas do Purgatório não são seres revoltados contra Deus, mas, ao invés, almas que compreenderam a grandeza da misericórdia divina e que, por isso mesmo, embora sofrendo, lhes estão absolutamente reconhecidas pela forma como as julgou, as perdoou e soube aproveitar os seus poucos méritos. Só Alguém que lhes tem um Amor inimaginável e perfeito pôde considerá-las dignas de alcançar o Reino dos Céus, que é sempre um dom da graça divina.

    Estas almas são poderosas intercessoras, porque desejam com veemência que aqueles que ainda se encontram nesta vida amem mais a Deus, amem mais o seu próximo, para que sejam mais felizes já na terra e, depois, ao serem julgadas por Cristo, possam apresentar nas suas mãos méritos superiores ao que elas conseguiram, a fim de que a misericórdia divina as encaminhe imediatamente para o Céu. 

    São, ao fim e ao cabo, almas santas, que vivem a caridade na purgação duma forma bem mais superior à que praticaram na terra. O que também as torna almas profundamente agradecidas e, neste sentido, que sabem pedir a Deus por aqueles que se lembram delas aqui na terra, com os seus sufrágios, com os seus sacrifícios, pelo modo como sabem tratar os outros, nomeadamente os mais próximos. O seu desejo mais profundo é, ao fim e ao cabo, que na nossa vida sejamos capazes de concretizar o que Jesus nos deixou como lema fundamental do cristão: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei»

    Peçamos a Nossa Senhora por todos os seus filhos que no Purgatório esperam o momento de ascenderem ao Céu. E, dum modo especial, invoquemo-la como Senhora da Boa Morte, com o intuito de que quem vai partir deste mundo esteja convenientemente preparado para se encontrar com Cristo. Ou seja, como um bom filho de Deus e de Sua Mãe, que tanto intercede por eles junto da Santíssima Trindade.
..............................................................................................
(1) Catecismo da Igreja Católica nn. 1030 e 1031.

Sem comentários:

Enviar um comentário