5 de novembro de 2012

Coisas práticas: Santa Missa (XI)

COMUNHÃO DOS SANTOS 

    Os textos das Orações Eucarísticas pretendem que todos vivam em uníssono o diálogo de entrega de Cristo ao Pai pela nossa salvação: que todos rezem a Missa. O sacerdote – em virtude do Sacramento da Ordem – é quem representa a Igreja, mas «a liturgia eucarística é essencialmente actio Dei (acção de Deus) que nos une a Jesus por meio do Espírito» (Bento XVI, Sacramentum caritatis, n. 37). 

    Pelo Baptismo Jesus Cristo uniu-nos ao seu Corpo místico e, na Santa Missa, todos – sacerdotes e fiéis, cada um segundo a sua condição – unimo-nos a Ele para nos apresentarmos ao Pai com a força do Espírito. Por isso, nas orações que dirige ao Pai, o celebrante associa – tantas vez usando a primeira pessoa do plural – a Igreja unida em volta do altar: todos estamos no que Jesus chamava a sua hora, a hora da redenção do mundo, e estamos a rezar como Ele. 

    O nosso esforço deve ser o de levar as palavras à oração, ajustar o pensamento às frases, e deixar-se guiar e transformar por elas, pedindo ao Paráclito que “faça de nós uma oferenda viva” (OE III), e nos envolva cada vez mais na única oração do Filho com o Pai. 

    E entramos em comunhão, não só com o Senhor, mas também com os anjos e com os homens de todos os lugares e tempos: «a Virgem Maria, Mãe de Deus, os bem-aventurados Apóstolos e todos os Santos que desde o princípio do mundo viveram na vossa amizade» (OE II). 

    Considerar tudo isto leva a perceber cada vez melhor que o dever de assistir à Missa "não é um dever imposto do exterior, um peso sobre os nossos ombros. Pelo contrário, participar na celebração dominical, alimentar-se do Pão eucarístico e experimentar a comunhão com os irmãos e irmãs em Cristo é uma necessidade para o cristão, é uma alegria, e assim pode encontrar a energia necessária para o caminho que deve percorrer todas as semanas” (Bento XVI, Homilia, 29-5-2005; citado em Javier Echevarría, Viver a Missa, pág.91). 

    A Comunhão dos Santos que se manifesta na Missa, constrói a unidade da Igreja. Este é um dom repetidamente pedido para que "alimentando-nos do Corpo e Sangue do vosso Filho, cheios do seu Espírito Santo, sejamos em Cristo um só corpo e um só espírito” (OE III). 

    A Missa aproxima-nos especialmente dos mais necessitados, leva-nos "a não nos sentirmos distantes de nenhuma pessoa, porque o Sacrifício da Cruz fez de nós filhos de Deus em Cristo e, consequentemente, muito irmãos de todos os homens" (cf. Viver a Missa, pág. 90). 

    E “pela nossa voz, a criação inteira” (OE IV), aclama o Senhor com alegria podendo cada um de nós dizer com S. Josemaria: “Sinto junto de mim todos os católicos, todos os crentes e também os que não crêem. Estão presentes todas as criaturas de Deus – a terra, o céu, o mar, e os animais e as plantas –, dando glória ao Senhor da Criação inteira” (Homilia, Sacerdote para a Eternidade, em Amar a Igreja, pág. 78). 

DOXOLOGIA 

    Por fim, o celebrante eleva o Corpo e Sangue do Senhor à vista dos fiéis e recita: "Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a Vós, Deus Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória agora e para sempre." E o povo, mostrando pela sintonia, responde o "Amen" mais importante de toda a Missa, "expressão do sacerdócio real de Cristo, recebido no Baptismo" (cf. Viver a Missa, pág. 98). 

    Já no século II São Justino referia este louvor à Santíssima Trindade no final da oração eucarística: “Tendo concluído as orações e a acção de graça, todo o povo presente aclama dizendo «Amen», que significa «assim seja» em hebraico” (Apologia). 

    "Nesta proclamação, que deve ressoar com firmeza nos lábios de todos, está resumido o sentido de toda a nossa vida, unida a Cristo no Sacrifício eucarístico. Compreende-se então com grande felicidade – e não é um exagero repeti-lo – que «todas as obras dos homens se realizam como num altar, e cada um de vós, nessa união de almas contemplativas que é o vosso dia, diz de certa maneira ‘a sua Missa’, que dura vinte e quatro horas, na expectativa da Missa seguinte, que durará outras vinte e quatro horas, e assim até ao final da vossa vida" (São Josemaria, em 19-3-1968; citado em Viver a Missa, pág. 98).

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