1 de outubro de 2012

Do Pároco

            Inicia-se neste mês o ANO DA FÉ, assim determinado pelo Romano Pontífice, no sentido de renovar a força desta virtude em todos os membros do Povo de Deus. Já no mês passado aqui se chamava a atenção para o facto de a fé – tal como a esperança e caridade – começar por ser um dom de Deus (1).

            No seu plano salvífico, Deus tem consciência da importância desta virtude para o homem, pelo que não o deixa entregue a uma busca esforçada só da sua vontade e do seu entendimento para a encontrar e dela poder viver. Oferece-a previamente, infundindo-a, principalmente no momento em que o sacramento do baptismo começa a actuar em quem o recebe.

            Todo o cristão deve estar sumamente agradecido ao Senhor por este seu desvelo. Ele conhece, melhor do que ninguém, e com a eficiência de quem é perfeito em Si mesmo e em tudo o  que deseja para o homem, as nossas necessidades e não quer privar-nos de nenhum meio que nos conduza à salvação. Pelo contrário, coloca-os à nossa disposição, sempre com um grau de generosidade que supera a virtude da justiça, através da sua misericórdia.

            Efectivamente, se nos lembramos do que a razão humana é capaz de descobrir sobre Deus e aquilo que a fé nos ensina, a distância é abissal. Grandes cabeças, como Platão, Aristóteles, Descartes, o próprio Kant e até santos da igreja como Agostinho, Anselmo, Tomás de Aquino e outros esforçaram-se com mérito indiscutível em demonstrar-nos a existência de Deus dum modo filosófico.

            No entanto, aquilo que nos conseguem ensinar, sendo lógico, plausível e louvável, não pode comparar-se com o que a  fé nos diz de Deus: Criador e Pai, perdoador até 70x7, que morre por nós para nos voltar a dar a possibilidade da felicidade eterna, que nos ensina a amar e a respeitar os outros como seus filhos dilectos, que, na hora próxima da sua morte na Cruz, se desprende da sua Mãe e no-la  oferece para cuidar de nós com o mesmo amor maternal que deu a Jesus Cristo, etc. É um Deus que tem um coração manso e humilde, que foi criança em Belém de Judá, que trabalhou como artesão em Nazaré, que fundou a Igreja para ser o instrumento de salvação, entre os tempos da sua ascensão ao Céu e o final do mundo, que curou doentes, ressuscitou mortos, que converteu pecadores e deles fez santos, etc.

            Voltando aos filósofos, apresentam-nos Deus como primeiro motor, causa eficiente, causa final, a ideia acima da qual não posso conceber outra mais perfeita, etc. Com certeza que isto é valioso e não lhe queremos roubar qualquer mérito. No entanto, e apesar de a compreensão sobre Deus sair robustecida desta maneira, a fé diz-nos quem é Deus com palavras e modos que Ele mesmo quis revelar-nos para O conhecermos melhor e amá-Lo sobre todas as coisas.

            A razão humana, empregando toda a sua robustez e manifestando simultaneamente todas as suas limitações, encontra aquilo que pode entender de Deus. A fé, enquanto dom,  é o fruto do que Deus nos quis dizer sobre Ele. Por isso, as suas verdades –  ao serem reveladas – têm a autoridade do próprio Deus, que não Se engana nem quer enganar-nos.

            Perante esta bondade divina, convém que estudemos com todo o garbo as palavras que Deus nos quis deixar da sua autoria e com a sua autoridade. Os grupos de estudo do Catecismo, que vão vigorar este ano na nossa paróquia têm essa finalidade..

            Rezemos pelos seus frutos e por todo o esforço da Igreja em reavivar a nossa fé.
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(1) Catecismo da Igreja Católica, n. 153: “A  fé é um dom de Deus, uma virtude sobrenatural infundida por Ele. Para prestar esta adesão da fé (ou seja, para aceitarmos a fé e as suas consequências), são necessários a prévia e concomitante ajuda da graça divina e os interiores auxílios do Espírito Santo, O Qual move e converte o coração, para Deus, abre os olhos do entendimento, e dá a todos “a suavidade em aceitar e crer a verdade” (DV 5)

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