1 de outubro de 2012

COISAS PRÁTICAS: SANTA MISSA (X): ACOMPANHAR JESUS NO SEU SACRIFÍCIO

«Fazei isto em memória de Mim» 

    “O memorial recebe um sentido novo no Novo Testamento. Quando a Igreja celebra a Eucaristia, faz memória da Páscoa de Cristo, e esta torna-se presente: o sacrifício que Cristo ofereceu na cruz uma vez por todas, continua sempre actual: «Todas as vezes que no altar se celebra o sacrifício da cruz, no qual ‘Cristo, nossa Páscoa, foi imolado’, realiza-se a obra da nossa redenção»” (CIC 1364). 


   Trazer à memória os bens recebidos - anamnesis - aumenta a gratidão que se manifesta, entre outras coisas, gastando o necessário em vasos e paramentos para a beleza e dignidade do culto. Devemos ser generosos, como Jesus ensinou. “Aquela mulher que, em casa de Simão o leproso, em Betânia, unge com rico perfume a cabeça do Mestre, recorda-nos o dever de sermos magnânimos no culto de Deus. / – Todo o luxo, majestade e beleza me parecem pouco. / – E contra os que atacam a riqueza dos vasos sagrados, paramentos e retábulos, ouve-se o louvor de Jesus: «Opus enim bonum operata est in me» – uma boa obra fez para comigo.” (S. Josemaria, Caminho, nº 527). 

   A Elevação lembra as suas palavras: “Quando Eu for levantado sobre a terra atrairei todos a Mim”. Alguma jaculatória (“Meu Senhor e meu Deus”) pode exprimir o propósito de fazer que Cristo esteja realmente presente como Senhor no cume de todas as realidades humanas. “Para isso temos de negar-nos a nós mesmos, de nos sacrificar voluntariamente, em união com Cristo, pela salvação das almas, num sacrifício que se torna agradável quando realmente abraçamos a Cruz de Jesus” (cf. Javier Echevarría, Viver a Missa, Ed. Princípia, pág. 81). 

   “Mistério da fé!” é o grito que proclama que o divino sacrifício se tornou presente sacramentalmente. A resposta é a confissão da fé comum – “Anunciamos, Senhor, a vossa morte, proclamamos a vossa ressurreição.” – e o compromisso de a difundir preparando a vinda de Jesus – “Vinde, Senhor Jesus!” – com disponibilidade para servir a todos, especialmente os que nos rodeiam 

   «Celebrando… o memorial…, nós Vos oferecemos… e Vos damos graças porque nos admitistes à vossa presença para Vos servir nestes santos mistérios.» (OE II) 

   “Deus Pai aceitou o sacrifício do seu Filho e entregou-no-Lo de novo, sob o véu das espécies eucarísticas; e acolheu também o nosso pobre e pequeno sacrifício que Jesus integrou no seu.” “Em Cristo, a mais pequena fracção de tempo, de esforço, de trabalho, de mortificação, adquire uma transcendência de eternidade e de eficácia apostólica na Terra” (cf. Viver a Missa, pág. 86-87). 

   “Fazei”, manda Jesus. Quer a celebração da Eucaristia, a fim de que, com Ele, edificarmos a Igreja pelo sacerdócio real recebido no Baptismo e na Confirmação. “Com essa alma sacerdotal, que peço ao Senhor para todos vós, tendes de procurar que no meio das ocupações vulgares, toda a vossa vida se converta num contínuo louvor a Deus: oração e reparação constantes, súplica e sacrifício por todos os homens. E tudo isto em íntima e assídua união com Cristo Jesus, no Santo Sacrifício do Altar” (S. Josemaria, Carta de 28-3-1955, nº4, citado em Viver a Missa, pág.83). 

   A escola de Maria é onde a alma eucarística aprende a fazer companhia a “Jesus escondido”, na sua entrega presente no Altar e no Sacrário. De facto, junto à Cruz, a Mãe “manteve uma total atenção a todos os gestos e todas as palavras do seu Filho, sem perder nenhum pormenor do seu olhar cheio de paz e transbordante de tristeza, da sua respiração fatigada mas entregue, do seu desejo de sofrer como só pode sofrer Quem é Deus e Homem, da sua sede de almas. E essa atitude deve inspirar o nosso comportamento durante a celebração eucarística, e não só no momento da Consagração, pois todos os momentos da Missa remetem para o Sacrifício do Calvário. Peçamos a Maria, «Mulher eucarística», que faça de nós mulheres e homens cheios de amor pelo Santo Sacrifício do altar” (cf. Viver a Missa, pág. 86).

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