8 de setembro de 2012

Coisas práticas: Santa Missa (IX)

A CONSAGRAÇÃO, O MOMENTO CULMINANTE DA MISSA

Na narração da instituição da Eucaristia, “a força das palavras e da açcão de Cristo e o poder do Espírito Santo tornam sacramentalmente presentes, sob as espécies do pão e do vinho, o Corpo e o Sangue de Cristo, seu sacrifício oferecido na cruz uma vez por todas” (CIC 1353).
Servindo-se da voz, da vontade e da pessoa do sacerdote, Jesus profere as mesmas palavras nascidas do seu imenso amor na Última Ceia. Ali antecipou sacramentalmente a acção salvadora que estava prestes a realizar cruentamente (com dor) na Cruz; agora Ele torna-a presente incruentamente em cada Missa, “onde a Trindade Beatíssima recebe a adoração, a acção de graças, a impetração e a expiação de toda a humanidade, graças a Jesus Cristo, que é «perfectus Deus, perfectus Homo» (Símbolo Quicumque), perfeito Deus e perfeito Homem” (cf. Javier Echevarría, Viver a Missa, Ed. Princípia, pág. 76).

Isto é o meu Corpo. Isto é o cálice do meu Sangue.
O celebrante é um instrumento do Senhor e, por isso, pronuncia estas palavras na primeira pessoa. “Não é um homem que se dirige a Deus-Pai em representação dos restantes fiéis, mas é o próprio Sumo e Eterno Sacerdote quem o faz. «Não é o homem que converte as coisas oferecidas no Corpo e Sangue de Cristo, mas o próprio Cristo que por nós foi crucificado. O sacerdote, figura de Cristo, profere aquelas palavras, mas a sua virtude e a sua graça são de Deus» (S. João Crisóstomo)” (Idem, pág. 78). 
“Unamo-nos com a maior piedade possível, a estas palavras de Cristo, que se tornam actuais em cada Missa; são palavras que Ele dirige a todos nós, que dirige a cada uma, a cada um de nós”. “São palavras que nos enchem de segurança, que reforçam a nossa fé, asseguram a nossa esperança e enriquecem a nossa caridade. Sim: Cristo vive, é o mesmo que era há 2000 anos, e viverá para sempre, intervindo no nosso peregrinar.Volta a acercar-se de nós, caminhando connosco como caminhou com os discípulos de Emaús, para nos sustentar e apoiar-nos em todas as nossas actividades” (Ibidem).
A presença real de Jesus leva-nos a uma atitude de adoração perante a omnipotência e amor de Deus: “é por isso que nos ajoelhamos quando chega este instante sublime que constitui o núcleo da celebração eucarística” (Idem, pág. 77). Procuremos crescer na piedade e delicadeza com que vivemos este momento, no agradecimento “por tão admirável visita de Deus às criaturas. Não nos habituemos a assistir a este milagre, que é o maior de todos quantos ocorrem diariamente em todo o mundo!” (Idem, pág. 78).

Tomou o pão em suas santas e adoráveis mãos e, levantando os olhos ao céu, para Vós, Deus, seu Pai todo-poderoso, dando graças, abençoou-o (OR I)

As palavras e as rubricas da celebração convidam o sacerdote a repetir os gestos que Cristo fez na Última Ceia: “a Igreja orante fixa os olhar nas mãos e nos olhos do Senhor. Quer de certo modo observá-l’O, quer perceber o gesto do seu rezar e agir naquela hora singular, encontrar a figura de Jesus, por assim dizer, também através dos sentidos» (cf. Bento XVI, homilia 9-4-2009)
Costumava levantar os olhos ao céu quando se recolhia em oração, qual sinal exterior da sua união com Deus-Pai e assim o terá feito na Última Ceia.
As mãos, que tinham abençoado tanta gente, seguram o pão e o vinho, símbolos das dádivas recebidas pelos homens. Jesus agradece-os a Deus e restitui-os para os receber de novo abençoados e transformados, transubstanciados. “O agradecer torna-se abençoar. Os dons apresentados tornam-se no Corpo e Sangue” (Ibidem).

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