9 de agosto de 2012

Do tesouro da Igreja


Santidade, esplendor e glória do corpo da Virgem Maria (*) 


   Os santos Padres e os grandes Doutores da Igreja, nas homílias e sermões dirigidos ao povo na solenidade da assunção da Mãe de Deus, falaram deste facto como conhecido e aceite pelos fiéis; expressaram-no com mais clareza e explicaram mais profundamente o sentido e importância desta festa, procurando especialmente esclarecer que o objecto da festa não era apenas a incorrupção do corpo da bem-aventurada Virgem Maria, mas também o seu triunfo sobre a morte e a sua glorificação celeste à semelhança de Jesus Cristo, seu Filho Unigénito. 

   Assim S. João Damasceno, que entre todos se distinguiu como testemunha exímia desta tradição, considerando a assunção corporal da Santa Mãe de Deus à luz dos outros privilégios, exclama com vigorosa eloquência: “Era necessário que Aquela que no parto tinha conservado ilesa a sua virgindade conservasse também sem nenhuma corrupção o seu corpo depois da morte. Era necessário que Aquela que trouxera no seu seio o Criador feito menino fosse habita nos divinos tabernáculos. Era necessário que a Esposa que o Pai desposara fosse morar como Esposo celeste. Era necessário que Aquela que tinha visto o seu Filho na cruz e recebera no coração a espada de dor de que tinha sido preservada ao dá-Lo à luz, O contemplasse à direita do Pai. Era necessário que a Mãe de Deus possuísse o que pertence ao Filho e que todas as criaturas a honrassem como Mãe e Serva de Deus”. 

   S. Germano de Constantinopla afirmava que a incorrupção e a assunção do corpo da Virgem Mãe de Deus condiziam não só com a sua maternidade divina, mas também com a peculiar santidade desse corpo virginal: “Vós, como está escrito, apareceis em beleza; e o vosso corpo virginal todo ele é santo, todo ele é casto todo ele morada de Deus, de modo que, até por este motivo, ficou isento de ser reduzido ao pó da terra; foi, sem, transformado, enquanto era humano, para a vida excelsa da incorruptibilidade; mas é o mesmo, vivo e gloriosíssimo, incólume e participante da vida perfeita”. 

   Outro escritor antiquíssimo afirma, por sua vez: “Como Mãe gloriosíssima de Cristo, nosso Deus e Salvador, dispensador da vida e da imortalidade, é por Ele vivificada, revestida de um corpo semelhante na eterna incorruptibilidade, já que Ele a ressuscitou do sepulcro e a levou para Si, pelo modo que só Ele conhece”. 

   Todos estes argumentos e considerações dos Santos Padres têm como último fundamento a sagrada Escritura que nos apresenta a santa Mãe de Deus estreitamente unida ao seu divino Filho e sempre participante da sua sorte. 

   (...) Assim a augusta Mãe de Deus, unida de modo misterioso a Jesus Cristo desde todas a eternidade pelo mesmo e único decreto de predestinação, imaculada desde a sua conceição, sempre virgem na sua divina maternidade, generosa companheira do divino Redentor, que triunfou plenamente sobre o pecado e suas consequências, como suprema coroa dos seus privilégios foi, por fim, preservada da corrupção do sepulcro e, tendo vencido a morte como seu Filho, foi elevada em corpo e alma à glória do Céu, onde resplandece como Rainha à direita do seu Filho, Rei imortal dos séculos. 

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(*) Da Constituição Apostólica Magnificentissimus Deus, do Papa Pio XII. (AAS 42 [1950] 760-762.767.769

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