9 de agosto de 2012

Coisas Práticas: Santa Missa (VIII)



SÚPLICA AO ESPÍRITO SANTO (OU “EPICLESE”) 


   Por Providência divina o Espírito Santo está sempre presente nas circunstâncias mais normais da vida profissional, familiar e social, pronto para nos apoiar, se o queremos, com as suas moções e a sua graça. Mas de um modo especialíssimo actua no Sacrifício da Missa. 

   “Na Eucaristia, revela-se o desígnio de amor que guia toda a história da salvação (Ef 1, 9-10; 3, 8-11). Nela, o Deus-Trindade (Deus Trinitas), que em Si mesmo é amor (1 Jo 4, 7-8), envolve-Se plenamente com a nossa condição humana. (…) Mas é em Cristo, morto e ressuscitado, e na efusão do Espírito Santo, que nos é dado sem medida (Jo 3, 34), que nos tornamos participantes da intimidade divina. (…) Trata-se de um dom absolutamente gratuito (…). A Igreja acolhe, celebra e adora este dom, com fiel obediência. O ‘mistério da fé’ é mistério de amor trinitário, no qual, pela graça, somos chamados a participar. Por isso, também nós devemos exclamar com Santo Agostinho: “Se vês a caridade, vês a Trindade”(cf. Bento XVI, Sacramentum Caritatis, 8). 

   Uma “corrente trinitária de amor” derrama-se constantemente sobre o mundo. “Toda a Trindade está presente no santo sacrifício do altar. Por Vontade do Pai, cooperando o Espírito Santo, o Filho oferece-Se em oblação redentora” (cf. S. Josemaria, Cristo que Passa, 86). 

   Unida ao momento central da consagração está a epiclese em que a Igreja “pede ao Pai que envie seu Espírito Santo (…) sobre o pão e o vinho, para que se tornem, por seu poder, o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo (cf. CIC 1353). O gesto de imposição de mãos sobre as oferendas une-se às palavas: “Santificai, Senhor, esta oblação com o poder da vossa bênção e recebei-a como sacrifício espiritual perfeito, de modo que se converta para nós no Corpo e Sangue de vosso amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo” (OR I). 

   Para melhor nos unirmos, devemos fazer crescer diariamente a nossa devoção ao Espírito Santo com pequenas orações: “Vinde Espírito Santo, renovai a face da terra”, santificai-me e aos outros. E maravilhemo-nos agradecidos, pois “a Santa Missa situa-nos diante dos mistérios primordiais da fé, porque é a própria doação da Trindade à Igreja” (S. Josemaria, Cristo que Passa, 87): é desígnio de um Deus que quer estar connosco. 

   E “aprendamos a conhecer e a relacionar-nos com a Santíssima Trindade, Deus Uno e Trino, três pessoas divinas na unidade da sua substância, do seu amor e da sua acção eficaz e santificadora.” (S. Josemaria, Cristo que Passa, 86). “O Sacrifício do altar é uma escola maravilhosa do relacionamento com a Santíssima Trindade, um relacionamento que temos de nos esforçar por intensificar diariamente.” (cf. Javier Echevarría, Viver a Missa, Ed. Princípia, pág. 73). 

   E a deixar-se guiar pelo Paráclito que nos faz chegar os seus conselhos e nos assiste dando relevo sobrenatural ao que fazemos. Apesar das nossas limitações Ele “é capaz de iluminar a nossa inteligência e inflamar a nossa vontade, de nos alargar o coração, de dispor a nossa alma e o nosso corpo para receberem, de forma digna e fecunda, Jesus na Eucaristia” (cf. Idem, pág. 93). “E não esqueçamos que, pelo facto de se nos entregar o Santificador, todos os dias podem ter para nós as características de um novo Pentecostes, no qual podemos conferir autêntico relevo sobrenatural, e também autêntico relevo humano, ao passar das horas” (cf. Idem, pág. 94). O Espírito Santo em cada Missa impele-nos a continuar a missão apostólica dos primeiros: “fortalecidos (…) e cheios do seu Espírito, formemos em Cristo um só corpo e um só espírito” (OR III).

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