2 de julho de 2012

Do pároco

   Já no mês passado se chamava aqui a atenção de que as nossas férias não podem ser “férias” de Deus, no sentido de O deixarmos esquecido da nossa vida, como, nesta altura, fazemos à roupa de inverno. Deus, a Quem devemos “amar sobre todas as coisas”, não pode estar um momento separado e nós. Somos suas criaturas e a Ele tudo devemos do que somos, do que podemos vir a ser e do que temos.

   A única realidade má que nos pode afastar da sua companhia e da sua presença orientadora de todas as nossas acções e atitudes é o pecado. E que pecado tão forte e tão injusto o irmos de férias sem que Deus nos acompanhe, como se Ele fosse apenas útil quando precisamos d’Ele, mas importuno nesse tempo de descanso, onde eu só quero pensar no meu conforto, na minha sesta e no meu bem-estar. Descanso sem Deus é um falso descanso.

   Também no número anterior deste Boletim se afirmava que podíamos preencher o nosso tempo de férias, decerto acompanhado por outras actividades próprias destes dias, de um maior aprofundamento da nossa formação cristã, sugerindo a leitura atenta do Catecismo da Igreja Católica, ou do seu resumo, o Compêndio da Doutrina Católica, tendo em vista que se vai iniciar o Ano da Fé.

   Ora, uma ideia que devemos ter bem assimilada na nossa mente é que a Fé não é apenas uma conquista nossa, resultado do esforço que empreendemos para conhecer, através dela, melhor a Deus e a toda a doutrina da Igreja por Cristo fundada. Se é óbvio que para vivermos com desenvoltura esta virtude necessitamos de procurar conhecer bem os seus conteúdos, a verdade, como se diz no próprio Catecismo, no ponto nº 153, é que ela começa por ser «(...) um dom de Deus, uma virtude sobrenatural infundida por Ele». E acrescenta: «Para prestar esta adesão da fé, são necessários a prévia e concomitante ajuda da graça divina e os interiores auxílios do Espírito Santo, o qual move e converte o coração, para Deus, abre os olhos do entendimento, e dá “a todos a suavidade em aceitar e crer a verdade”» (Dei Verbum 5).

   Como vemos, Deus não se deixa vencer em generosidade, como dizia S. Josemaria. Em matérias complexas e difíceis para o nosso entendimento, provê-nos com o dom sobrenatural da fé, a fim de que possamos conhecê-Lo melhor e compreender o seu Amor incomensurável para com o homem, apesar de tantos desfeiteamentos que este Lhe deu, ao longo da sua história.

   A vida dos santos fala-nos duma correspondência coerente ao dom da fé, mas a vida de outros homens manifesta a sua tibieza crónica de querer ser ele o condutor da sua vida, reservando para Deus, seu criador e razão de ser fundamental, o papel de um acidente ou de alguém a Quem se recorre quando se quer d’Ele um favor ou um benefício para melhorar a nossa vida.

   Sigamos o exemplo dos santos, que são quem entendeu que Deus tem de ser o ponto recorrente de todas as nossas ideias e de todas as atitudes que tomamos. E, nas nossas férias, aproveitemos para O conhecer melhor a fim de O amar mais. E rezando também para que o Ano da Fé, que se aproxima, seja bem vivido por todos os cristãos, colocando Deus no centro da sua existência, isto é, situando-O onde deve estar e permanecer. Que esta intenção acompanhe os nossos dias de férias, robustecendo a nossa fé com uma vivência adequado da prática religiosa e o aprofundamento das suas verdades fundamentais.

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