31 de maio de 2012

Do pároco

  Com o mês de Junho, começam as férias escolares e, com elas, as férias dos profissionais que aproveitam o sol de verão para descansar. No entanto, é bom não esquecer que nunca poderemos fazer férias dos nossos compromissos cristãos. Por exemplo: não poderemos fazer férias do cumprimento do preceito dominical, nem sequer de deixarmos de rezar diariamente a Quem adoramos e a Quem devemos “amar sobre todas as coisas”, como dizemos no 1º Mandamento da Lei de Deus. Se eu amo a Deus como devo, não é possível encerrá-Lo na gaveta do esquecimento durante as minhas férias. Seria uma negação absoluta daquilo que acabámos de enunciar.
Mas as férias podem e devem ser também tempo de aprofundamento da nossa Fé. Às vezes, tratamos esta virtude como se fosse uma conquista nossa resultante exclusivamente dos esforços pessoais por estudá-la melhor e aprofundar naqueles pontos que são mais difíceis de entender.
   Deus não nos dispensa desta tarefa, mas, como sempre, manifesta a sua generosidade e amor por nós com a magnanimidade de Quem é Todo-poderoso, concedendo-nos a Fé como um dom. Efectivamente, quando fomos baptizados, recebemos as três virtudes teologais – Fé, Esperança e Caridade –, além dos dons do Espírito Santo, entre outros benefícios que nos concede o Senhor, gratuitamente, na recepção deste Sacramento.
A Fé, como se disse, começa por ser um dom. Cabe, depois, reforçá-la, em primeiro lugar com a nossa conduta cristã, que não é isenta de exigências morais que custam, como a Cristo custou a sua entrega por nós, dando a sua vida para a redenção de todos os homens de todos os tempos. Nosso Senhor advertiu-nos claramente que um seu discípulo não é mais do que o Mestre e que deve pegar na sua Cruz todos os dias e levá-la onde Deus lhe pedir.
   A Fé necessita, portanto, de ser estudada e aprofundada com as possibilidades da nossa inteligência e vontade, tal como os conhecimentos que cada um foi adquirindo, quando era criança e dava os seus primeiros passos. Não seria justo da nossa parte que, em matéria de cultura religiosa, nos satisfizéssemos com aquilo que nos informaram na catequese, ou mesmo com o que, provavelmente, nos ensinaram carinhosamente os nossos pais.
   Muitas vezes, neste último caso, o que nós recordamos com mais gratidão são todas as manifestações de Fé cristã que deles aprendemos em família, duma forma espontânea e muito natural, e o seu exemplo abnegado de paciência para connosco, de amor verdadeiro, que acudia com os seus desvelos a todas as nossas inquietações. Além disso, ficaram gravadas na nossa memória e no nosso coração, tantas manifestações de piedade cristã que aí aprendemos, como o terço familiar, o mês de Maria ou as orações da infância que bebemos dos lábios da mãe ou do pai. Tudo isso são pontos de referência inesquecíveis que nos acompanharam pela vida fora e estiveram presentes nos momentos de tomarmos decisões fortes e difíceis, ou mesmo fundamentais para o futuro das nossas opções mais relevantes
   Aprendemos depois na Catequese belas lições sobre as verdades da nossa Fé... Mas, em muitos casos, a nossa informação sobre esse tema por aí ficou. E, se estudámos, fomos frequentemente confrontados com opiniões, teorias, preconceitos, críticas e más vontades, que podem ter posto a nossa Fé em risco, porque, com o evoluir da idade e do conhecimento, aquilo que nos era agora apresentado, já não tinha o carácter de um rudimento, de uma explicação adaptada à capacidade de entendimento da infância ou do início da adolescência, mas uma informação aparentemente mais fundamentada, mais trabalhada e mais sólida, quer como argumentação, quer ainda como alicerce de uma opção fundamental da nossa vida.
   Eis por que é necessário solidificar com constância e determinação os fundamentos da nossa Fé.
   Decerto que não temos todos de ser teólogos ou pensadores consumados. É bom começar pelos aspectos fundamentais. Para isso, há tantas obras boas que a Igreja põe à nossa consideração. É uma questão de querermos vencer a inércia cómoda de irmos adiando esta tarefa tão necessária para um dia brumoso... que nunca mais chega.
   Vamos para férias. Por que não procuramos levar algumas dessas obras? Por exemplo, o CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, ou o seu resumo, o COMPÊNDIO DA IGREJA CATÓLICA. São livros base e acessíveis. Com um pouco de dedicação diária à sua leitura e ao seu  estudo, tantas e tantas verdades da nossa Fé que poderemos reaprender e fundamentar. E assim, no descanso estival, ganharmos uma maior intimidade com Deus, porque passamos a conhecê-Lo com mais profundidade e a compreender melhor os seus desígnios de misericórdia e de amor para connosco.

Sem comentários:

Enviar um comentário