7 de maio de 2012

Do Pároco

Nossa Senhora de Fátima
e os três pastorinhos



   Todos os anos, quando vemos aproximar-se o mês de Maio, enche-se de alegria a nossa alma cristã. E o motivo é simples: vamos viver, uma vez mais, trinta e um dias dedicados à nossa Mãe e Mãe de Deus, Maria Santíssima.

   Não sei se somos bons filhos. Mas quem é o filho que não gosta de presentear a sua Mãe, de a tratar bem, sobretudo quando sente por ela um orgulho benéfico, fundamentado no amor que lhe tem e no amor que – sabe com certeza absoluta – a sua mãe sempre lhe dedica?

   Com os cristãos assim sucede com Nossa Senhora. Não pensam que é um exagero dedicar um mês completo à sua devoção, porque conhecem os desvelos e os carinhos maternais que ela lhes dispensa. Quantas vezes não teve Maria de advogar a nossa causa diante do seu Filho, ou quantas vezes, com o seu jeito maternal, não foi obrigada a pedir a Jesus paciência connosco, tal como a nossa mãe terrena o fazia, sempre que nós excedíamos os limites do razoável com o nosso comportamento demasiadamente empertigado ou insolente? Como alguém observava, a Santíssima Virgem, ao assumir a nossa maternidade na Cruz, ganhou o bom “vício” de todas as mães: ser capaz de dizer bem dos seus filhos em todas as circunstâncias, mesmo quando elas não auguram qualquer elogio.

   A bondade de Jesus, ao dar-nos a sua Mãe como nossa Mãe, para além do que essa generosidade supõe de desprendimento e de amor verdadeiro por nós, evidencia toda a confiança que Ele tem pela sua Mãe como educadora, recordando, no plano humano, tudo o que recebeu de Maria durante a sua vida oculta, em Nazaré, enquanto criança, adolescente e já ser adulto. Assim Se tornou o homem mais perfeito que alguma vez surgiu na face da terra. “Por que não confiar à minha Mãe tão santa – tentemos adivinhar o raciocínio de Jesus –, da qual só guardo gratas recordações, a tarefa de educar os meus discípulos e os encarreirar para o meu Reino?”

   Quis que Maria, sobre cada um de nós, exercesse os mesmos cuidados educativos que teve para com Ele, a fim de que a nossa salvação se tornasse mais certa e os caminhos que a ela conduzem mais amáveis.
  
   Certamente que Cristo contou com a boa vontade da sua Mãe, que aceitou essa incumbência da mesma maneira que O aceitou a Si, quando ficou a saber que Deus a tinha escolhido para ser a Mãe do nosso Salvador na Anunciação. Maria nunca discutiu a vontade de Deus. Viver para a cumprir com contínuos actos de amor e de sujeição ao querer divino foi a sua vida e continua a sê-lo, já que esta tarefa por ela assumida junto da cruz é praticamente interminável e só ganhará verdadeiro sentido para si, quando conseguir, com o seu zelo, o seu carinho de Mãe, a sua entrega incondicional e a sua poderosa intercessão junto de Deus, introduzir no Reino dos Céus o último dos filhos que Cristo lhe deu pouco antes de morrer no Calvário.

   A Igreja proporciona-nos um mês inteiro para aumentarmos o nosso amor a Maria e tratá-la com mais sentido de filiação, no âmbito pessoal e no âmbito familiar. Sejamos, assim, bons filhos de Maria, rodeando-a de manifestações que um bom filho sempre deseja manter com a sua mãe, reconhecido por tudo o que ela fez por si ao longo da vida, nas horas fáceis e nos momentos duros da caminhada. Nestes, provavelmente, sentimos a mão maternal e alentadora de Nossa Senhora a tirar-nos do desalento, a redobrar as nossas forças, a fomentar o nosso optimismo, a incitar-nos a confiar na providência de Deus e também a exigir-nos, como boa mestra e sempre Mãe, que nos socorramos de todos os meios humanos ao nosso alcance, para superar as agruras duma situação difícil.

   Oremos com mais fé a Maria durante o mês de Maio, tentando que as nossas orações sejam bem rezadas. Lembremo-nos de que a nossa mãe terrena, quando falávamos com ela, se nos atendia com todo o amor, exigia que lhe falássemos educadamente e não com modos bruscos, vagos  ou impróprios. Nossa Senhora, recordemos a propósito, “ralhou” aos pastorinhos de Fátima, porque rezavam o Terço atabalhoadamente e a despachar... Muito amiga, muito Mãe, mas uma amiga e uma Mãe exigente, como devem ser todas as mães que se prezam.

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