31 de maio de 2012

Coisas Práticas: SANTA MISSA (VI)


PREFÁCIO: ACÇÃO DE GRAÇAS

Deus não cessa de convocar um povo que de um extremo ao outro da terra ofereça uma oblação pura: o sacrifício do Calvário, tornado presente na Eucaristia, em gratidão “ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo, por todas as suas obras, pela criação, redenção e santificação”. (cf. CIC, 1352).

“Em Jesus, no seu sacrifício, no seu sim incondicionado à Vontade do Pai, está o sim, o obrigado, o amém de toda a humanidade. A Igreja está chamada a recordar aos homens esta grande verdade.” (cf. João Paulo II, Fica connosco, Senhor, 26).

A variedade dos prefácios permitem à liturgia evocar diferentes aspectos concretos de agradecimento e de louvor, segundo a festa ou mistério que celebra.

É um bom momento “para que cada um, com espontaneidade e confiança de filho, acrescente em silêncio os seus motivos pessoais de gratidão, que nunca faltam.” (cf. Javier Echevarría, Viver a Missa, Ed. Princípia). Mesmo aquelas coisas mais custosas que o Senhor permite – “para mal dos nossos pecados”, como diz o povo – se devem agradecer, confiando que a cruz com que nos abençoa trará os seus bens se os sabemos aceitar juntamente com os sofrimentos de Jesus, oferecendo-os com os d’Ele, pelas mesmas intenções. Ela poderá santificar-nos, fazer-nos crescer em graça e em virtudes, ajudando a manter sempre a alegria e a paz.

O Prefácio termina com o Santo (“Sanctus”). Em uníssono com o louvor dos Anjos, que nos rodeiam na celebração, e com todos os Santos do Céu, recorda-se primeiro as maravilhas de toda a Criação, visível e invisível, “os céus e terra”.

O uso da antiga palavra hebraica – “Hossana nas alturas” –, recorda que somos continuadores dos que primeiro abraçaram a fé. “Somos parte de uma grande sinfonia que eleva a Deus a comunidade cristã espalhada por toda a terra e por todos os tempos” (Bento XVI, audiência de 23-V-12).

Com as palavras “Bendito O que vem em nome do Senhor” do Salmo 118, que era usado para acolher os peregrinos que chegavam a Jerusalém, lembra-se a Redenção. Assim aclamaram o Messias quando lá entrou solenemente para vir a culminar a sua entrega na Cruz.

A recordação do modo como depois foi abandonado e atraiçoado pode fazer surgir dentro de nós um desejo de fidelidade, de uma rectidão de vida que nunca destoe na acção de graças global de que fazemos parte. Todas as criaturas cantam o vosso louvor.



Obs. Muitas destas sugestões encontram-se num livro recém traduzido: Viver a Missa, Javier Echevarría, Ed. Princípia.

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