11 de fevereiro de 2012

Do Tesouro da Igreja


FAZEI PENITÊNCIA (*)


   Fixemos atentamente o nosso olhar no Sangue de Cristo e compreenderemos como é precioso aos olhos de Deus, seu Pai, esse sangue que, derramado para nossa salvação, ofereceu ao mundo inteiro a graça da penitência.

   Percorramos todas as idades do mundo e veremos que em todas as gerações o Senhor concedeu o tempo favorável da penitência a todos os que a Ele se quiseram converter. Noé proclamou a penitência, e todos os que o escutaram foram salvos. Jonas anunciou aos ninivitas a destruição iminente, mas eles, fazendo penitência pelos seus pecados, aplacaram a ira de Deus com as suas orações e obtiveram a salvação, apesar de não pertencerem ao povo de Deus.

   Nunca faltaram ministros da graça divina que, inspirados pelo Espírito Santo, pregaram a penitência. O próprio Senhor de todas as coisas falou da penitência, empenhando as suas palavras com juramento: Pela minha vida, diz o Senhor, não quero a morte do pecador, mas o seu arrependimento; e acrescentou aquela admirável sentença: Deixa de praticar o mal, á casa de Israel. Diz aos filhos do meu povo: Ainda que os vossos pecados cheguem da terra ao céu, ainda que sejam mais vermelhos do que o escarlate e mais negros que o cilício, se vos converterdes a Mim de todo o coração e disserdes: ‘Pai’, Eu vos tratarei como um povo santo e ouvirei as vossas súplicas.

   E querendo levar à penitência todos aqueles a quem amava, confirmou esta sentença com a sua vontade omnipotente.

   Obedeçamos, portanto, á sua excelsa e gloriosa vontade e, implorando humildemente a sua misericórdia e benignidade, refugiemo-nos na sua clemência e convertamo-nos sinceramente, abandonando as obras más, as contendas e invejas que conduzem à morte.

   Sejamos humildes de coração, irmãos caríssimos, evitemos toda a espécie de soberba, vaidade, insensatez e cólera, e punhamos em prática o que está escrito. Diz o Espírito Santo: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte na sua força, nem o rico na sua riqueza; mas quem se gloria, glorie-se no Senhor, procurando-O a Ele e praticando o direito e a justiça.

   Recordemos, sobretudo, as palavras do Senhor Jesus, quando nos recomendava a benevolência e a longanimidade: Sede misericordiosos e alcançareis a misericórdia; perdoai e sereis perdoados; dai e dar-se-vos-á; não julgueis e não sereis julgados; sede benévolos, e obtereis benevolência: com a medida com que medirdes, vos será medido.

   Observemos fielmente estes mandamentos e preceitos do Senhor; vivamos sempre, com toda a humildade, fiéis às suas santas palavras; e lembremo-nos do texto sagrado: Para quem voltarei o meu olhar senão para o humilde e manso de coração, para aquele que teme as minhas palavras?

   Deste modo, imitando as obras grandiosas dos nossos ilustres antepassados, corramos de novo para a meta que nos foi proposta desde o princípio, que é a paz. Contemplemos atentamente o Pai e Criador do universo, e coloquemos toda a nossa esperança na magnificência e generosidade do dom da paz que nos oferece.

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((*) Da Carta de S. Clemente I, Papa aos Coríntios (Séc. I) (Cap. 7.4; – 8,3; 8,5 – 9,1: 13, 1 – 4; 19, 2: Funk 1, 71– 73, 77–78, 87)

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