11 de fevereiro de 2012

Coisas práticas: A Santa Missa (III)



Convocados pelo celebrante com um “Oremos”, cada um ora em petição a Deus, em silêncio. O texto dito então em voz alta na Oração Colecta recolherá o que cada um pediu. Trata-se de apresentarmos a Deus Pai as petições da Igreja, por meio de Jesus Cristo único Mediador, na comunhão do Espírito Santo – que une as nossas súplicas às de Cristo, Cabeça da Igreja.

LITURGIA DA PALAVRA

“A Missa contém duas partes: a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística, tão estreitamente unidas entre si que constituem um único acto de culto” (IGMR, 28).

A Igreja oferece o Pão da Vida em duas mesas: a da Palavra de Deus e a do Corpo de Cristo. O que a Igreja lê e proclama conduz à Eucaristia como seu fim co-natural (cf. Bento XVI, Sacramento da Caridade, 44).

O Céu quis falar noutros tempos com os textos que usamos. O diálogo de Deus com os homens vem desde que os criou para participarem da Vida divina e culmina em Jesus: “nunca ninguém falou assim” (cf. Jo 7, 46). S. Jerónimo diz que “quem não conhece as Escrituras desconhece o poder e a sabedoria de Deus. Ignorar as Escrituras significa ignorar a Cristo”.

As leituras na Missa vêm dos primeiros cristãos. S. Justino, no século II, é testemunha da estrutura semelhante da sua reunião: “No dia que chamam Dia do Sol [o domingo] celebra-se uma reunião de todos os que habitam a cidade ou o campo. Lêem-se as recordações dos Apóstolos [os evangelhos] ou os escritos dos profetas, tanto quanto o tempo o permite. Quando o leitor termina, quem presida exorta-nos a imitar aqueles exemplos. Depois levantamo-nos todos em uníssono, e elevamos as nossas orações” (Apologia, I, 67). E eles seguiam Jesus, que na sinagoga, aos sábados, lia os textos e explicava como eles se cumpriam em Si mesmo.

É Deus quem nos fala – Palavra de Deus; Palavra da Salvação – e agradecemos – Graças a Deus; Glória a Vós, Senhor.

João Paulo II explicava que a luz prévia da Palavra é que permite que “através dos sinais litúrgicos, o mistério se abra de alguma maneira aos olhos dos crentes” (Fica connosco, Senhor, 11).

Na primeira leitura fala Deus. Mas, apesar de os textos serem antigos, “Cristo não fala no passado mas no nosso presente, pois Ele mesmo está presente na acção litúrgica” (Bento XVI, Sacramento da Caridade, 45). Os textos adquirem nova actualidade transcendendo as coordenadas do tempo e espaço em que foram pronunciadas: “o Pai, que está nos céus, sai amorosamente ao encontro dos seus filhos para conversar com eles” (C. Vaticano II, Dei Verbum, 21).

Fixar na memória alguma frase mais significativa pode ajudar a manter presença de Deus ao longo do dia.

No Salmo surge a resposta do homem orante a Deus, usando palavras por Ele inspiradas aos antigos, que em Cristo encontraram a sua plenitude.

Santo Agostinho afirmava: “o Evangelho é a boca de Cristo: está sentado no Céu mas não deixa de falar na terra” (Sermão 85, 1). E os sinais litúrgicos manifestam-no:

1- Todos se põem de pé, em sinal de respeito. 2 - O celebrante inclina-se diante do altar e súplica: “Deus todo-poderoso, purificai o meu coração e os meus lábios, para que eu anuncie dignamente o vosso santo Evangelho”. 3 - No louvor do Aleluia brilha a fé na presença de Cristo. 4 - Com o sinal da cruz pedimos que se abram os nossos sentidos para ouvir e mais nos identificarmos com Cristo. 5 - Com a proclamação e o beijo no livro, uma súplica final: “Por este santo Evangelho, perdoai-nos, Senhor”.

O silêncio que se segue é para ajudar a interiorizar a Palavra de Deus proclamada, deixando actuar o Paráclito. A homilia quer ser uma explicação, bem enraizada nos textos litúrgicos, de algum aspecto do caminhar cristão.

Relembrados assim da grandeza da condição baptismal professamos os artigos do Credo. E depois, em fraternidade manifesta, todos abrimos o nosso coração sacerdotal, na Oração de Fiéis, às necessidades da Igreja e de todo o mundo.

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