2 de janeiro de 2012

Coisas práticas: A SANTA MISSA (II)

RITOS INICIAIS

A reunião dos cristãos num mesmo lugar e a uma hora preestabelecida, tem por si grande significado. Foi Cristo quem os convocou: “Ele é o Sumo Sacerdote da Nova Aliança. Ele mesmo é Quem preside invisivelmente toda celebração” (CIC, 1348).

Quem chegou com tempo, pode pensar na grandeza do que se vai celebrar – talvez, com a ajuda de algum livro –, e rever os passos da celebração e as palavras do ordinário. Conhecendo-os bem é possível chegar a uma real participação “plena, consciente e activa” (Sacrosanctum Concilium, Conc. Vaticano II, nn. 14 e 48).

Os leigos, graças a terem recebido no Baptismo o sacerdócio real, podem unir-se interiormente ao Redentor e oferecer-se com Ele e n’Ele, por meio do sacerdote.

A referida “participação activa” não implica a realização de acções externas; é essencialmente uma atitude interior, “que parte de uma maior tomada de consciência do mistério que se celebra e da sua relação com a vida quotidiana” (Sacramentum Caritatis, Bento XVI; n. 52). Vivendo bem todos os momentos da celebração, conseguiremos que as ocupações do nosso dia-a-dia sejam fecundadas pela Eucaristia que tudo quer arrastar na oferta redentora do altar.



CANTICO DE ENTRADA E ACTO PENITENCIAL

O gesto de se levantar, ao entrar o celebrante, mais do que mera cortesia, simboliza a atitude profunda do cristão de receber a Cristo e a disponibilidade de depois O seguir e acompanhar pela nossa vida, ao terminar a celebração.

O canto de entrada tem o tom de uma reunião festiva, de uma reunião fraterna à volta de Cristo – “Primogénito entre muitos irmãos” (cf. Rom 8,28). Aí se encontram todos os membros da Igreja: os da terra com os do Céus e os do Purgatório.

Em nome de toda a Igreja – de cada um dos que a ele se unem –, o celebrante faz a reverência ao altar, que representa Cristo. Assim exprimia esse gesto S. Josemaria: “subo ao altar com ânsias, e mais que pôr as mãos sobre ele, abraço-o com carinho e beijo-o como um apaixonado, que é isso que sou: apaixonado! Estaria perdido se não o fosse!” (cf. Vivir la Santa Missa, Javier Echevarría, pág. 46).

A consciência da pessoal indignidade conduz-nos então a um sentido acto penitencial. O momento de silêncio permite recordar alguma falta mais fresca na memória que ajude a atitude interior de quem se reconhece marcado pelo pecado.

E à petição de perdão une-se o louvor: Senhor… Cristo, tende piedade de nós. E a certeza da misericórdia divina leva da contrição à alegria.

É o clima interior para o Glória que se inicia com o canto de alegria dos anjos, na noite do Natal de Jesus e se prolonga num hino proclamando as grandezas de cada uma das Pessoas da Santíssima Trindade. Agradecidos, acabamos por aclamar o Pai e dizer a Jesus “Só Vós sois o Santo… o Senhor… o Altíssimo”. Pois Ele, “o Filho do Altíssimo, o Filho do homem, ungido pelo Espírito Santo, da Cruz se dirige a Deus Pai para render o máximo acto de louvor e para nos obter a remissão das nossas ofensas”. É da reconciliação obtida que brota a paz interior e o ânimo para prolongar a nossa vida numa união plena com Deus.

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